sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A Declaração do Rio para uma cultura do cuidado

O Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR) ressalta a importância da "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Declaração do Rio), documento resultante de um encontro de mais de 30 experts internacionais participantes do Fórum Internacional ILC-BR / WDA.
 
A Declaração do Rio destaca a necessidade do estabelecimento de uma cultura de cuidado do idoso que seja inclusiva, focada na pessoa e firmemente fundada nos direitos humanos. O documento recomenda uma nova perspectiva que leve em conta as dimensões de gênero para as políticas do cuidado e para a sociedade. Indica, ainda, a observância das metas para o cuidado constantes da Agenda das Nações Unidas para o Desenvolvimento pós-2015.
 
Grande ênfase é atribuída pela Declaração do Rio à amplitude do sistema de cuidado, para que se estenda da promoção da saúde até o fim de vida, caracterizando-se por: comunicação, continuidade, coordenação, larga abrangência e vínculos comunitários.
 
A Declaração do Rio encoraja ações especificamente concernentes ao respeito aos direitos da pessoa idosa; aos serviços; planejamento e prestação do cuidado; educação e treinamento e aos ambientes amigáveis ao idoso, de modo que se implante uma cultura do cuidado.
 
O Fórum Internacional ILC-BR / WDA foi o espaço de discussão e proposição da Declaração do Rio, onde se reuniu um grupo composto por algumas das maiores autoridades no campo do envelhecimento - internacionais e nacionais -, representando a sociedade civil, a Academia, organizações intergovernamentais e o setor privado, entre outros. O evento foi realizado nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro, em iniciativa conjunta do Centro Internacional de Longevidade Brasil e do Fórum Mundial de Demografia e Envelhecimento (WDA Forum), em cooperação com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e Universidade do Seguro (UniverSeg). Após revisão e pactuação, a Declaração do Rio foi lançada durante o VII Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro – GeriatRio 2013, no dia 2 de novembro, com apresentação de Alexandre Kalache, médico, gerontólogo, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil e responsável pelo Fórum ILC-BR / WDA.
 
Por Louise Plouffe - Pesquisadora do ILC-BR
Colaboração Ina Voelcker e Silvia Costa - ILC-BR

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Há relação entre Design e Envelhecimento?

Ficou provado que sim durante a apresentação dos trabalhos finais dos alunos da disciplina “Projeto 5 – Produção e Distribuição” feita nesta quarta-feira, 27 de novembro, no auditório do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), do Instituto Vital Brazil.

Design, nem todos sabem, vai muito além de layouts, plantas e desenhos. A atividade idealiza objetos e imagens que materializam soluções para situações de toda natureza. “O Design se preocupa com o efeito das formas, mais do que com as formas em si”, explica a Professora Vera Damazio, Coordenadora do Laboratório Design Memória e Emoção (LABMEMO), do Departamento de Artes e Design, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A perspectiva do Design Emocional orienta a pesquisa e as aulas de Vera Damazio na pós-graduação.

Em primeiro plano, Professora Vera Damazio ao centro (blusa estampada verde) com o coordenador da disciplina, Professor Marcelo Pereira.

A apresentação dos trabalhos foi realizada no âmbito da cooperação entre o Departamento de Artes e Design com o CEPE e o Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR). Sob a coordenação do Professor Marcelo Pereira e participação de professores das habilitações em design de moda, comunicação visual, mídia digital e design de produtos, além de estudantes de mestrado do Departamento, a disciplina obrigatória “Projeto 5 – Produção e Distribuição” aborda diferentes temas a cada ano e em 2013 a escolha foi Design e Envelhecimento. Cerca de 90 alunos se inscreveram e geraram em torno de 30 projetos, desenvolvidos em grupos de 4 a 5 alunos, resultando em produtos prontos para o mercado.

A vizinhança da PUC-Rio com o CEPE, o ILC-BR e a Casa de Convivência e Lazer Maria Haydée (da Secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida – SESQV), pode ter sido um fator de influência para a escolha do tema. Entretanto, Vera Damazio já estava atenta à emergência das questões relativas à longevidade e promovia as conexões que se concretizaram este ano. O CEPE realizou diversas ações conjuntas e a equipe do ILC-BR foi convidada a participar da disciplina sobre Design e Envelhecimento, para um semestre de trabalho interessante e de aprendizagem mútua. Com esse espírito, as profissionais do ILC-BR fizeram parte da equipe pedagógica da disciplina, que teve três turmas cursando ao mesmo tempo, e os professores dessas turmas se envolveram intensamente com o tema.

Como uma das tarefas propostas e supervisionadas pelo ILC-BR, os alunos fizeram entrevistas com idosos usando questionário elaborado pela equipe, que serviu como primeira fonte de ideias para projetos, em vista do contato com pessoas idosas requerido pela aplicação do questionário. Segundo o coordenador da disciplina, Marcelo Pereira, “depois os estudantes foram fundamentados pelas experiências com outros idosos, em muitos casos da Casa Maria Haydée, mas a entrevista foi o primeiro contato, deixando visível a relação entre os projetos e as entrevistas”. Os processos vividos pelos estudantes para chegarem aos produtos tiveram, em sua maioria, os frequentadores da Casa Maria Haydée como vozes representantes do envelhecimento ativo, que expressaram suas demandas de novos serviços e produtos especificamente pensados para a pessoa idosa.

Nas apresentações, era possível perceber a sensibilidade dos grupos de estudantes para identificar oportunidades que nem sempre se tornam objeto de soluções, transformando-as em produtos capazes de proporcionar melhoria na qualidade de vida dos idosos. A emoção permeou várias apresentações.

O CEPE reafirmou sua satisfação com a parceria e com os próximos projetos que já se delineiam.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Avanços nas pesquisas sobre envelhecimento no Estado do Rio de Janeiro

A investigação no campo do envelhecimento populacional demanda a cobertura do máximo de questões que aguardam melhores encaminhamentos, ou mesmo respostas, que assegurem o envelhecimento ativo e saudável.
 
Uma iniciativa no Estado do Rio de Janeiro, liderada pelo Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), do Instituto Vital Brazil, em conjunto com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), ampliou o número de estudos orientadores de práticas e políticas nessa área.
 
Encontro de pesquisadores
 
O 2º Encontro de pesquisadores contemplados no Edital Pró-idoso 2013, realizado no dia 12 de novembro, revelou os avanços na investigação que vai delinear novos rumos para a saúde e para os direitos de cidadania da pessoa idosa no Estado do Rio de Janeiro.
 
Os pesquisadores presentes apresentaram o estágio de desenvolvimento de seus projetos e compartilharam as dificuldades enfrentadas, que terão o empenho do CEPE na busca de solução. O intercâmbio de informações dos participantes da rede demonstrou a efetividade das ações colaborativas nos espaços coletivos.
 
Antecedentes
 
Em fevereiro deste ano, o edital de financiamento de pesquisas na área do envelhecimento (Apoio ao estudo de temas relacionados à saúde e cidadania de pessoas idosas – Edital Pró-idoso 2013) despertou o interesse de diversas propostas de pesquisa e selecionou quase 30 projetos. No dia 20 de maio foi feita a entrega dos “Termos de Outorga” aos pesquisadores contemplados com recursos.
 
O Edital Pró-idoso foi especialmente concebido para estimular a realização de projetos em rede, em parceria com o CEPE, para o desenvolvimento de estudos de temas relacionados à saúde e cidadania do idoso. Com a função de coordenar a rede de pesquisadores, o CEPE promoveu uma primeira reunião em junho, para que os proponentes de pesquisa se conhecessem e identificassem possibilidades de atuação conjunta entre si e com o CEPE. Nos meses que se seguiram, houve troca de informações e o início do desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa.
 
O CEPE é um projeto da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, gerenciado pelo Instituto Vital Brazil, que tem como objetivo promover o envelhecimento saudável e ser um ambiente de debates e formação voltada para a saúde do idoso com perspectiva de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Congresso GeriatRio debateu com palestrantes internacionais e nacionais

Muitas são as questões que perpassam o envelhecimento populacional e os sistemas de saúde no Brasil e em outros países. Com o objetivo de promover constante atualização profissional, a Seção Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) realizou o VII Congresso de Geriatria e Gerontontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio), com o tema “Complexidades e Demandas do Sistema de Saúde”. O evento foi de 30 de outubro a 2 de novembro e teve abertura solene feita pela presidente nacional da SBGG, Nezilour Lobato Rodrigues.
 
Rodrigo Serafim, Presidente da Seção Rio de Janeiro da SBGG, e Nezilour Lobato Rodriques, Presidente Nacional da SBGG
 
Em extensa grade de debates, a estratégia para discutir a inserção da pessoa idosa no contexto do sistema de saúde, no qual se articulam os profissionais de geriatria e gerontologia, abrangeu desde questões pontuais, como doenças cerebrovasculares, até as mais amplas, como políticas públicas e ciência. Os palestrantes internacionais contribuíram com relatos de experiência de suas localidades e intercâmbio de informações com os interlocutores presentes ao Congresso.
 
Consolidação de parcerias
 
As organizações atuantes no campo do envelhecimento juntam expertises para desenvolvimento de ações e projetos em parceria, que fortaleçam o campo onde se articulam, com benefícios para a sociedade e para os profissionais da geriatria e gerontologia.
 
O estabelecimento da parceria da SBGG com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e com o Centro Internacional de Longevidade (ILC-BR) se expressa em diversos pontos e foi intensa na participação de seus experts no Congresso.
 
A parceria decorre do empenho em aproximar as instituições, propiciado pelo Presidente da Seção Rio de Janeiro da SBGG, Rodrigo Bernardo Serafim, e pela Presidente do Departamento de Gerontologia, Maria Angélica dos S. Sanchez.
 
CEPE
 
Dois profissionais do CEPE, Luiza Machado Maia (assistente social, especialista em políticas públicas na área do envelhecimento e assessora da Direção do CEPE) e Alessandro Carvalho (fisioterapeuta, docente e pesquisador na área de envelhecimento e exercício físico), participaram da Oficina Pedagógica “Currículo e carga horária mínimos para formação de cuidador de idosos”, coordenada por Maria Angélica Sanchez e Marília Berzins. O objetivo da SBGG foi reunir pesquisadores, docentes e lideranças diretamente envolvidos neste cenário para debater quatro tópicos específicos pertinentes à formação de cuidadores de idosos profissionais: carga horária, conteúdo, formação do docente e metodologia.
 
A excelência dos profissionais e a experiência do CEPE com o “Curso de Cuidador Social” (Carga horária de 164h) oferecem especial contribuição à SBGG, a partir da qualificação do cuidado de idosos, pelo desenvolvimento de habilidades e competências em relação aos cuidados e à promoção da saúde do idoso dependente. O curso do CEPE se estrutura em aulas teóricas, práticas e visita a uma instituição de longa permanência de idosos.
 
Outra participação de destaque foi o trabalho intitulado "Impacto das medicações anticolinérgicas sobre a cognição nos idosos" de Annibal Truzzi, Vanessa Mendes, Roberta Parreira, Alessandro Carvalho, Monica Kramer, Jerson Laks e Thelma Rezende, apresentado na sessão de temas livres. Assim como o pôster sobre "Fragilidade e autopercepção de saúde em um grupo de idosos atendidos em um pólo de atenção secundária", também de Annibal Truzzi, com Janiciene Souza, Fayanne Bom, Fernanda Borges, Roberta Parreira, Monica Kramer, Jerson Laks e Thelma Rezende.
 
ILC-BR
 
A pesquisadora do ILC-BR, a canadense Louise Plouffe, apresentou "Graduação e Pós-Graduação: panorama canadense", na mesa sobre Educação e Formação em Geriatria e Gerontologia, no dia 1º de novembro. O ponto de partida do panorama foi a escassez de geriatrias e de especialistas em gerontologia, o fato de que poucos estudantes escolhem o cuidado dos idosos e muitas barreiras – apesar disso, a pesquisadora afirmou que há esperanças.
 
Outra apresentação de Louise Plouffe, em 2 de novembro, intitulada “Políticas públicas no Canadá: podemos caminhar na mesma direção?", mostrou os componentes do sistema de saúde no Canadá, que inclui a Atenção Primária, hospitais, remédios, cuidado crônico em casa, instituições de longa permanência, cuidados paliativos e programas de respiro para o cuidador familiar. Em sua palestra puderam ser observadas as semelhanças e diferenças entre aquele sistema e o do Brasil. O tema da mesa era ‘Políticas Públicas’ e a moderação foi de Laura Maria Mello Machado, psicóloga, gerontóloga e diretora da Interage Consultoria em Gerontologia.
 
Nessa mesma mesa, Ina Voelcker apresentou "Panorama internacional das políticas públicas" com base em sua experiência de trabalho na HelpAge International, a maior ONG internacional da área de envelhecimento e desenvolvimento. O panorama traçado acompanhou uma linha do tempo com os maiores acontecimentos em termos de políticas públicas no nível internacional. A começar pela Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), passando pela I Assembleia Mundial do Envelhecimento (Viena, 1982), pelo lançamento dos Princípios das Nações Unidas para os Idosos (1996), pela comemoração do Ano Internacional dos Idosos (1999), II Assembleia Mundial do Envelhecimento (Madri, 2002) – geradora do Plano Internacional de Madri, um documento abrangente, baseado em direitos, e relevante para políticas. O Plano de Madri é um documento de referência que orienta políticas globais e foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Na linha do tempo apresentada, como desdobramentos, foram demarcados os 5 anos e os 10 anos do Plano de Madri.
 
O médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, falou sobre "Cidade Amiga do Idoso: avançamos?", na mesa sobre Resoluções, conquistas e desafios. Kalache analisou o percurso do movimento global “Cidade Amiga do Idoso” em âmbito mundial, que agrega também comunidades, unidades e setores da sociedade.
 
No último dia do Congresso, 2 de novembro, com a apresentação "Além de prevenção e tratamento - Desenvolvendo uma cultura do cuidado em resposta a revolução da longevidade", Alexandre Kalache fez o lançamento formal da "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado". A Declaração foi proposta e pactuada como produto final do Fórum Internacional ILC-BR / WDA, por um grupo de profissionais e instituições composto por algumas das maiores autoridades no campo do envelhecimento, internacionais e do país, representando instituições acadêmicas, sociedade civil, organizações intergovernamentais e do setor privado. O Fórum Internacional ILC-BR / WDA foi uma iniciativa conjunta de WDA (World Demographic Association - a Associação Demográfica Mundial), Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR), Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e Universidade do Seguro (UniverSeg), que teve lugar nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro.
 
Para fechamento do Congresso, a sessão “Conversa no sofá” trouxe Alexandre Kalache, Laura Maria Mello Machado e Silvia M. M. Costa para um momento informal, de resgate da memória da geriatria e da gerontologia no Brasil. Em sua apresentação, Silvia realçou a afinidade profissional dos dois gerontólogos em sintonia com aspectos pessoais que também se assemelham, como o pensamento vibrante, a visão de mundo positiva e a delicadeza do olhar sobre as pessoas.

Em pé, à esquerda, Silvia Costa, e sentados: Alexandre Kalache e Laura Machado.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Implantação de uma cultura do cuidado – ressonância do debate por experts

Um grupo de profissionais e instituições, composto por algumas das maiores autoridades no campo do envelhecimento  - internacionais e nacionais -, representando a sociedade civil, a Academia, organizações intergovernamentais e o setor privado, propôs e pactuou a "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado", como produto final do Fórum Internacional ILC-BR / WDA. O evento foi realizado nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro, em iniciativa conjunta do Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR) e da WDA (World Demographic Association - a Associação Demográfica Mundial),  em cooperação com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e Universidade do Seguro (UniverSeg).

 
A Declaração do Rio foi lançada durante o VII Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro – GeriatRio 2013, no dia 2 de novembro, com apresentação de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, e  imediatamente disponibilizada no site da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
 
 
 
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Longevidade e uma cultura do cuidado

A pessoa idosa, no Brasil e no mundo, tem sido o centro de uma mobilização da sociedade para criar estratégias e mecanismos que propiciem o envelhecimento ativo e saudável para um número crescente de idosos. Como o grupo da população que mais aumenta nos dias de hoje é o de pessoas de 80 anos e acima, encontram-se cada vez mais idosos vulneráveis, ainda que tenham tido acesso a práticas de prevenção e de tratamento.
 
O foco no tema “cuidado” surge da preocupação com a pessoa idosa fragilizada por doença ou incapacidade física ou por declínio cognitivo de alguma ordem. Origina-se, ainda, da percepção de que prevenção e tratamento se tornam insuficientes para o quadro de fragilidades identificadas em idosos que caem abaixo do limiar de incapacidade.
 
A necessária mudança de paradigma quanto ao cuidado da pessoa idosa frágil, por meio de discussões profundas e abrangentes, suscitou ação conjunta de organizações comprometidas com o campo do envelhecimento populacional para a realização de dois eventos definitivos sobre o tema. Na liderança da iniciativa, o médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil.

Consonância com a urgência do debate
 
O VIII Fórum da Longevidade Bradesco Seguros, no dia 15 de outubro, em São Paulo, promovido pela Bradesco Seguros, abriu os três dias de trabalho com o tema “Cuidar da Vida Longeva”. A presença internacional de Linda Fried, vice-presidente sênior do Instituto de Medicina da Universidade de Columbia (EUA), lançou as bases da discussão com a conferência “Conferências e Desafios da Longevidade”.
 
Nos dias que se seguiram, o Fórum Internacional WDA (World Demographic Association) - a Associação Demográfica Mundial - nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro, aprofundou o debate com apresentações e grupos de discussão sobre o tema "Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Beyond Prevention and Treatment - Developing a Culture of Care). O Fórum foi uma iniciativa conjunta de WDA, Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), Universidade do Seguro (UniverSeg) e Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR).
 
Os eventos trouxeram ao Brasil a excelência de experts de diferentes países e continentes, representando diversas disciplinas e culturas, para um debate do mais alto nível no campo do envelhecimento populacional. Os aspectos do cuidado abordados foram da reforma geral da Seguridade Social às necessidades de treinamento de profissionais e modelos de cuidado no mundo (10 países). Entre os temas, o imperativo de adotar-se um enfoque baseado em direitos da pessoa idosa; as abordagens amigáveis ao idoso; desenvolvimento e a população idosa; dimensões do cuidado – de longa permanência, domiciliar, intergeracional, cuidadores, situações de crise; e dimensões éticas do cuidado, foco no fim de vida.
 
Como produto final, o Fórum gerou uma "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado", que está em fase de leitura pelos experts participantes e terá, oportunamente, a versão final disponível neste blog e em sites de organizações parceiras.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Prêmios para textos sobre longevidade estimulam contatos intergeracionais e interesse jornalístico


O convívio com pessoas idosas sempre representa oportunidade para a troca de experiências sobre os mais diferentes aspectos da vida, seja pelo conhecimento acumulado, seja pela emoção do encontro entre diferentes formas de vivenciar o mundo. Em cada geração fervilham histórias prontas para serem contadas. Assim surgiu o Prêmio Longevidade Histórias de Vida, concedido pela Bradesco Seguros há três anos.
 
No caso da produção jornalística, o Prêmio Longevidade de Jornalismo reconhece o papel estratégico da imprensa na difusão de informações sobre o tema da longevidade e sua fundamental propagação das questões implicadas no envelhecimento populacional. Uma sociedade com um número cada vez maior de pessoas idosas demanda uma preparação que só pode ser alcançada pela constante circulação de informações proporcionada pela imprensa. A Bradesco Seguros premia esta crescente participação jornalística na estruturação de uma sociedade mais amigável ao idoso.
 
Terceira edição dos Prêmios Bradesco Seguros de Longevidade
 
Idealizador do Prêmio e participante de sua organização e do quadro de jurados, desde a primeira edição, Alexandre Kalache – presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR), ex-coordenador de programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e um dos maiores experts internacionais em gerontologia - presta consultoria à iniciativa “Prêmios Longevidade Bradesco Seguros”.
 
Os candidatos aos prêmios apresentam trabalhos que são avaliados por um júri composto por profissionais de jornalismo e de gerontologia, representantes de entidades de classe do setor e de universidades, em estreita ligação com as áreas de imprensa e de marketing da Bradesco Seguros. A avaliação se baseia em critérios rigorosamente observados pelo júri, incluindo requisitos especificamente definidos, aos se atribuem pesos na análise final. A cada edição, a Bradesco Seguros abre inscrições três meses antes da premiação e já teve cerca de 400 participantes nos dois anos anteriores.
 
O Prêmio Longevidade de Jornalismo identifica a importância dos profissionais como formadores de opinião e difusores de conhecimento, buscando estimular a elaboração de trabalhos jornalísticos sobre o tema da longevidade nas categorias: Mídia Impressa (jornais e revistas) e Mídia Eletrônica (TV, rádio e web). Concorreram matérias publicadas no período de 31 de outubro de 2012 a 6 de setembro de 2013.
 
Aberto à participação de maiores de 18 anos de idade, o Prêmio Longevidade Histórias de Vida tem como principal objetivo distinguir histórias e relatos que, pelo exemplo pessoal, contribuam para a disseminação do conceito de longevidade e para a qualidade de vida da população geral e da idosa em particular.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conferência em Quebec lança Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso - RICA

Um resultado de destaque da 2a Conferência Internacional de Cidades Amigas do Idoso (2nd International Conference on Age-Friendly Cities) foi a criação da RICA - Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso/Rede Iberoamericana de las Ciudades Amigables de las Personas Mayores. A Rede aproximou colaboradores da América Latina e de Portugal presentes à Conferência e abriu suas portas para todos os parceiros lusófonos e hispânicos que desejem participar. O ponto de encontro é um site, onde estão publicadas as apresentações da Conferência feitas por representantes da Costa Rica, Chile, Argentina e México.
 
Os inúmeros experts que foram à cidade de Quebec, no Canadá, para a 2a Conferência, representam uma amostra da rápida expansão das redes de cidades, estados e países engajados no Movimento Global Cidades Amigas do Idoso.
 
A Conferência, realizada de 9 a 11 de setembro, foi promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo de Quebec, reunindo mais de 700 participantes, como gestores municipais, profissionais, pesquisadores, tomadores de decisão e pessoas idosas de 46 países. O objetivo era o compartilhamento de conhecimentos e da experiência na construção de ambientes amigáveis aos idosos.
 
O evento mostrou também a evolução da Rede Global da OMS de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso, desde a 1a Conferência Internacional, realizada em Dublin, Irlanda, em 2011, quando o foco esteve em implantação e sustentabilidade. Este ano, os temas foram Inovação Social; Interface entre os Ambientes Social e Físico; Avaliação; Aprendizagem ao longo do curso de vida.
 
A iniciativa Cidades Amigas do Idoso foi lançada em 2007 pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache – pai da iniciativa, que na época era diretor do Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da OMS – e pela doutora Louise Plouffe – considerada a mãe da iniciativa e atualmente pesquisadora senior do International Longevity Centre Brazil (ILC-BR). Em suas apresentações, os dois mostraram o estado da arte da construção de comunidades amigas dos idosos no Brasil e internacionalmente.
 
À frente da sessão plenária como keynote speaker, ao abordar o tema da construção de estados e países amigos do idoso, Alexandre Kalache enfatizou que a idade mais avançada é uma referência para se chegar ao fato de que "o que é amigável para idosos é amigável para todas as idades".
 
Louise Plouffe ajudou a conceber o conteúdo da Conferência, como membro do Comitê Científico Internacional, e também apresentou a experiência de Ottawa (sua cidade natal no Canadá), uma localidade piloto da OMS para subsidiar o desenvolvimento de indicadores básicos para as comunidades amigas do idoso.

Elaboração: Louise Plouffe
Colaboração: Silvia Costa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mais de vinte experts internacionais discutirão uma cultura do cuidado para o envelhecimento populacional

O Fórum "Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Beyond Prevention and Treatment - Developing a Culture of Care) traz para o Rio a excelência de experts representando diversas disciplinas, de diferentes países e continentes, para um debate do mais alto nível no campo do envelhecimento populacional. Como produto final, o Fórum vai produzir uma "Declaração do Rio de Janeiro sobre o Cuidar como Resposta à Revolução da Longevidade".
 
Durante dois dias, 16 e 17 de outubro, das 09:00 às 17:00, o Fórum abordará aspectos do cuidado que vão da reforma geral da Seguridade Social às necessidades de treinamento de profissionais e modelos de cuidado no mundo (10 países). Entre os temas, o imperativo de adotar-se um enfoque baseado em direitos da pessoa idosa; as abordagens amigáveis ao idoso; desenvolvimento e a população idosa; dimensões do cuidado – de longa permanência, domiciliar, integeracional, os cuidadores, épocas de crise; e dimensões éticas do cuidado, foco no fim de vida.
 
O Fórum é uma promoção conjunta da WDA Forum (World Demographic Association) com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), Universidade do Seguro e Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR).
A iniciativa é destinada a médicos, demógrafos, profissionais outros da área da saúde, gerontólogos, acadêmicos dedicados a esta área, autoridades públicas responsáveis pela elaboração de políticas para o envelhecimento (em nível municipal, estadual e federal), representantes da mídia (leiga e especializada), representantes de associações profissionais (ex. Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria, Associação Medica Brasileira, Federação Nacional de Médicos de Família, Centros de Assistência Social etc.).
 
O local de realização é a sede da Bradesco Seguros, à Rua Barão de Itapagipe, 234, Rio Comprido 20.261-005, Rio de Janeiro, RJ. As inscrições podem ser feitas no email ilcbrazil2012@gmail.com, pelo envio de nome completo, profissão, instituição, telefone e email.

PARTICIPANTES

1. Alexandre Kalache (Brasil; ILC-BR; WDA)
2. Ana Amelia Camarano (Brasil; IPEA)
3. Claudia Burlá (Brasil; Ex-Secretária Geral da Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia)
4. Dalmer Hoskins (WDA; EUA)
5. Daniel Groisman (Brasil; FIOCRUZ)
6. Denise Eldemire (Universidade das Índias Ocidentais, Jamaica)
7. Emiliana Rivera Meza (Governo Nacional da Costa Rica)
8. Enrique Vega (OPAS) – a confirmar
9. Francoise Forette (ILC-France)
10. Gabrielle Kelly (Governo da Austrália do Sul)
11. Ina Voelcker (Ex-Pesquisadora HelpAge International; ILC-BR; Alemanha)
12. Irene Hoskins (Ex-Presidente, IFA)
13. Isabella Aboderin (Rede Africana para Pesquisa sobre Envelhecimento; WDA; Alemanha)
14. Jane Barratt (Secretária Executiva, IFA; WDA; Canadá)
15. John Beard (OMS; WDA) – a confirmar
16. Jose Ricardo Jauregui (Comitê Latino Americano e Caribe -COMLAT, Argentina)
17. Lia Daichman (Ex-Presidente INPEA; ILC-Argentina)
18. Louise Plouffe (ILC-BR; Canadá)
19. Luis Miguel Gutierrez Robledo (Instituto de Envelhecimento, México)
20. Margaret Gillis (Public Health Agency of Canada) – a confirmar
21. Marília Louvison (Brasil; Escola de Saúde Pública/Universidade de São Paulo)
22. Mayte Sancho (Fundação Matia, Espanha)
23. Monica Ferreira (ILC-South Africa; WDA)
24. Nabil Kronfrol (Universidade Americana de Beirute; WDA; Líbano)
25. Norah Keating (IAGG; Universidade de Alberta, Canadá)
26. Roberto Eugênio Magalhães (Brasil; CEPE)
27. Rosy Pereira (ILC-República Dominicana)
28. Sasha Sidorenko (Ex-Coordenador do Programa do Envelhecimento da Organização das Nações Unidas; WDA, Áustria)
29. Stefan Peter Wild (WDA)
30. Thomas Szucs (WDA)

MAIS INFORMAÇÕES

Este evento assume o papel dos fóruns da WDA (World Demographic Association) iniciados em 2005, repetindo-se todos os anos no final do verão europeu na cidade universitária de St. Gallen, próxima a Zurique. Rapidamente tornaram-se a mais importante referência internacional no que toca aos aspectos demográficos, particularmente envelhecimento, e suas decorrentes implicações para políticas. O objetivo do "WDA Forum" é basicamente realizar um encontro anual de políticos, acadêmicos, organizações da sociedade civil, visando propor políticas e intervenções que promovam o envelhecimento ativo, pela adoção de uma perspectiva que encara o envelhecimento como uma conquista da sociedade e não como um "problema ou fardo".

Os WDA fóruns foram, desde o inicio, financiados por um consórcio de empresas privadas, do Governo Federal Suíço, da Universidade de St. Gallen e organizações intergovernamentais. A forte crise econômica que afeta a Europa levou a um colapso destes recursos obrigando a diretoria do WDA a virtualmente cancelar o Fórum de 2013 (haveria apenas uma reunião em escala muito menor focada em aspectos demográficos da Suíça em alemão e francês, sem a presença dos membros do Conselho Deliberativo (WDA-CD)).

A quebra de continuidade colocaria o WDA sob o risco de perder o momentum gerado pelos oito fóruns anteriores - dai a sugestão a seu Conselho Deliberativo (do qual Alexandre Kalache faz parte), em consulta e concordância com a Bradesco Seguros, de marcar 2013 com um evento do WDA em nível internacional. O Fórum Bradesco da Longevidade em São Paulo (para convidados, no dia 15 de outubro) oferecia já um pano de fundo excelente para, expandindo-o, realizar no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17, o Fórum WDA/Bradesco/CEPE/UNISEG/ILC-Brazil.
 
O WDA tem influenciado substancialmente a agenda político-acadêmica no que se refere aos temas relacionados ao envelhecimento populacional. As propostas de lá emanadas têm tido um impacto extraordinário. O fato de assegurar a realização do WDA Fórum no Brasil este ano representa um privilégio para os brasileiros, particularmente para aqueles, entre nós, preocupados com o envelhecimento populacional.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Envelhecimento e Atenção Primária à Saúde no Reino Unido – paralelos com o Brasil

O Médico de Família pode ser visto como um “condutor de orquestra”, segundo o médico britânico Patrick Hutt, que mostrou como seu país aposta em um sistema público, ancorado na Atenção Primária à Saúde e atento ao envelhecimento populacional.
 
A Inglaterra é um país envelhecido e foi o primeiro a desenvolver um “Sistema Nacional de Saúde” (The National Health Service – NHS), universal e articulado pela Atenção Primária. Com esse pioneirismo, suas práticas e políticas nessa área são experiências de relevância para o Brasil.
 
O Seminário “Atenção Primária à Saúde - mais necessária que nunca face ao envelhecimento populacional - a experiência britânica” foi realizado no dia 3 de setembro, terça-feira, de 09:30 às 12:00, no âmbito da parceria do Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) e do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE).
 
A exposição do médico britânico Dr. Patrick Hutt teve mediação do médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, e debate com os convidados, o Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), e a Professora Diana Maul de Carvalho, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
À esquerda, o Superintendentde Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), com o convidado, médico britânico Patrick Hutt ao microfone.
 
 
Um mundo em processo de mudança
 
Ao discorrer sobre a Atenção Primária à Saúde como modelo “mais necessário que nunca”, Patrick Hutt tinha como ponto de partida o Relatório de 2008, da Organização Mundial da Saúde (OMS), “2008 – WHO: Primary Care Now More Than Ever”, que recomendava a renovação do nível primário de atenção para que oferecesse melhores respostas aos desafios da Saúde em um mundo em transformação.
 
Um desses desafios é o rápido processo de envelhecimento populacional – fenômeno global expresso nos indicadores demográficos de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Diante do “aumento das comorbidades que acompanham a pessoa idosa, as equipes de Saúde da Família levam em consideração as especificidades dos idosos”, diz Patrick Hutt.
 
Em sua apresentação, o Dr. Hutt propôs uma possível síntese da experiência britânica no campo da Saúde: “o NHS foi criado em 1948; desde o início a equipe de saúde da família é a ‘porta de entrada’ do Sistema; consolidou a prática generalista (General Practice); e vem se modernizando ao longo dos últimos 30 anos.”
 
A importância do papel do General Practitioner pode ser observada nos antecedentes do modelo e no destaque atribuído pela típica cultura britânica da “Realeza”, que estabeleceu em 1952 o Colégio de Médicos de Família (College of GPs); ampliou nos anos 60 o treinamento de GPs e em 1972 tornou o Colégio uma instituição Real (Royal College of GPs). Posteriormente foi criado um Departamento Acadêmico de Atenção Primária e, em 2008, foi determinada a obrigatoriedade de exame de seleção para todos os Médicos de Família.
 
Patrick Hutt frisou que há críticas ao NHS e insatisfações inerentes a um sistema que não é perfeito, sujeito a limitações de orçamento. “O sistema precisa fortalecer a Atenção Secundária – o cuidado intermediário; superar o déficit de financiamento e sua concentração em despesas hospitalares; assim como intensificar o treinamento das equipes”.
 
Ao final a exposição, Patrick Hutt anunciou que a próxima Conferência de Saúde Rural, da Organização Mundial de Médicos de Família (World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians - WONCA), será no Brasil, em Gramado, no período de 21-25 de maio de 2014.
 
 
Em debate

Entre os pontos abordados pela Professora Diana Maul: “o atendimento da Atenção Primária mais voltado à população de baixa renda; a contenção de custos e a forma como as pressões sociais determinam as práticas de saúde, tendo como exemplo a diminuição do parto normal e a adoção do parto cesáreo como padrão para os nascimentos”.
 
O Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., ressaltou que a apresentação de Patrick Hutt mostra que “os países desenvolvidos não discutem mais o modelo de atenção”, fato que pôde constatar em visita técnica ao Canadá, onde a Atenção Primária à Saúde não mais está em discussão – ela funciona.

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Envelhecimento abordado na televisão

A convivência com um número crescente de pessoas idosas desperta em cada um de nós a atenção para os fatores que influenciam o aumento da expectativa de vida, as conseqüentes alterações demográficas e o surgimento de especificidades nessa fase da existência.
 
O interesse pelas questões relacionadas ao envelhecimento cria extensa demanda por análise especializada, encaminhada pela mídia a Alexandre Kalache, médico e gerontólogo com experiência internacional na área.
 
Nos meses de agosto e setembro, programas de televisão veicularão temas do envelhecimento com participação de Kalache em diferentes emissoras e formatos.
 
Vale conferir:
 
20 de agosto (terça-feira) 16:00 – TV Brasil - Programa Sem Censura – tema: Envelhecimento e qualidade de vida - as propostas e desafios da ciência nesta área.
 
21 de agosto (quarta-feira) 10:40 – TV Globo - Programa Fátima Bernardes – tema: 10 anos do Estatuto do Idoso.
 
20 de setembro (sexta-feira) 19:00 – TV Cultura – Programa Café Filosófico, com Mírian Goldenberg – tema: Revolução da longevidade

Ainda sem data de exibição: TV Globo - Programa Globo Repórter – tema: velhice/longevidade

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Imunização na vida adulta contribui para um envelhecimento saudável

À medida que a população mundial envelhece - abordar a imunização na perspectiva de curso de vida se revela uma prioridade de saúde pública. A ênfase nessa perspectiva propõe a vacinação em todas as etapas da vida, inclusive na fase adulta, como uma estratégia custo-efetiva para a promoção do envelhecimento saudável.
 
O alerta de experts foi publicado pela Aliança Global para o Envelhecimento (Global Coalition on Aging - GAC) em um conjunto de documentos, incluindo um relatório detalhado, lançados com o objetivo de divulgar esse tópico de extrema importância para o envelhecimento saudável, de modo que a imunização de adultos seja inserida como aspecto central da agenda global de políticas públicas. Alexandre Kalache é um dos co-autores do relatório e dos materiais acessórios em inglês:  “Key talking points”, release e Sumário Executivo. Os “Key talking points” tiveram tradução livre pelo ILC-Brazil (Pontos Chave para discussão), abaixo disponíveis.
 
A Aliança Global para o Envelhecimento é uma organização internacional que estimula novos enfoques sobre as questões do envelhecimento populacional, preocupada com a profunda mudança demográfica em curso nas últimas décadas.

Pontos Chave para discussão
 
èA vacinação de adultos é tão importante para a saúde pública do século XXI quanto a vacinação de crianças. O número de pessoas com mais de 60 anos chegará a um bilhão muito em breve e alcançará dois bilhões no meio do século.
 
èAs organizações internacionais começaram a reconhecer o potencial da vacinação de adultos. As organizações “International Federation on Ageing” e “International Longevity Center” reconheceram a importância da imunização de curso de vida. No momento, as taxas permanecem muito abaixo de níveis desejáveis.
 
èCada vez mais pesquisas mostram os benefícios para a saúde e o custo-efetividade da vacinação de adultos. Um estudo mostra o impacto de doenças transmissíveis prevenidas pela vacinação em comparação ao diagnóstico precoce do câncer através de rastreamento e à cessação do hábito de fumar.
 
èA imunização de adultos pode alavancar o sucesso social e econômico no século XXI. Os gestores de políticas públicas deveriam colocar a imunização ao longo do curso de vida no topo de suas agendas, com seis pontos-chave para políticas:
1. Aumentar a consciência sobre os benefícios da imunização ao longo do curso de vida entre os profissionais da Saúde, empresários, grupos de funcionários, sindicatos e o público em geral.
2. Estabelecer ou intensificar sistemas de vigilância para determinar ou monitorar a carga de doenças de adultos preveníveis por vacinas.
3. Conciliar calendários de vacinação de adultos.
4. Incluir imunização de adultos nos prontuários e criar cadastros de imunização de adultos.
5. Integrar vacinação de adultos nos programas públicos e privados.
6. Incluir a vacinação de adultos nos principais serviços preventivos para adultos.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aumento de prescrições de benzodiazepínico no Canadá revela medicalização do envelhecimento

A prescrição de ansiolíticos se tornou uma prática comum, em especial, no que se refere a pessoas idosas, para a redução imediata dos sintomas da ansiedade ou da insônia, sem resolver o problema original. E, diz a pesquisadora canadense, Dra. Guilhème Pérodeu, “ainda que os usuários e os profissionais de saúde considerem negativo o uso prolongado do benzodiazepínico (BZD), eles não lançam mão de alternativas”.
 
O seminário “Uma perspectiva sistemática sobre a medicalização do envelhecimento: o caso de benzodiazepínico (BZD)” trouxe ao Rio a alta expertise da pesquisadora canadense, Dra. Guilhème Pérodeu, no dia 16 de julho, terça-feira, de 09:30 às 12:00, em promoção conjunta do Centro Internacional de Longevidade (ILC-BR) e do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE). Realizado no auditório do CEPE (Avenida Padre Leonel Franca, 248, Gávea, Rio de Janeiro), o seminário teve mediação do médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, e debate com as  pesquisadoras Suely Rozenfeld (ENSP/Fiocruz) e Louise Plouffe (ILC-BR).
 
A Dra. Guilhème Pérodeau discutiu as implicações para políticas de saúde e para a prática clínica dos resultados de um estudo qualitativo sobre o uso de benzodiazepínico que contrastou as atitudes de 9 médicos prescritores, 11 farmacêuticos, 7 pessoas-chave e 23 usuários de longo prazo do medicamento, que tinham 50 anos e mais. O estudo foi realizado no Canadá, com o olhar nos fatores individuais, interpessoais e sociais, que contribuem para as questões sobre medicalização do envelhecimento.
 
Segundo Guilhème Pérodeau, o uso dessa droga psicotrópica para sintomas de ansiedade e insônia deve ser encarado como um fenômeno social, mais especificamente como um meio de “medicalizar” o envelhecimento normal. “Em outras palavras, o BZD é uma ‘prescrição rápida’ para o que é de fato uma questão de saúde complexa, inerente à experiência de vida e ao sentido atribuído ao fato de se ser idoso na sociedade atual. É a isso que chamamos de ‘medicalização do envelhecimento’”.
 
A brilhante apresentação da pesquisadora recomendou que a intervenção seja baseada nos seguintes pontos: (a) As atitudes individuais e a percepção dos sintomas de ansiedade e insônia devem considerar as representações do processo de envelhecimento em uma sociedade que valoriza a juventude e o imediatismo. (b) Mudanças na atitude pública em relação ao uso prolongado de psicotrópicos e questionamento de sua legitimidade, especialmente, na ausência de intervenção psicológica. (c) Transformação da visão social sobre o envelhecimento.
No debate, partir da esquerda: Alexandre Kalache, Guilhème Pérodeau, Louise Plouffe e Suely Rozenfeld.
 
Em suas considerações, a pesquisadora Suely Rozenfeld destacou a importância de que a solução para o excesso de prescrições leve em conta o contexto multicausal e indicou o site do Proqualis como fonte de informação sobre a abordagem multifatorial de eventos adversos com medicamentos.
 
Sobre contribuições na área de políticas públicas, Louise Plouffe analisou o problema como antigo - evidenciado na década de 1980 - e sugeriu quatro pontos de enfrentamento: elaboração de diretrizes clínicas orientadoras da prescrição de ansiolíticos; inclusão de agenda específica em programas para dependentes; inserção do tema no currículo de formação médica; desenvolvimento de iniciativas para mudar a prática.
A partir da esquerda: Alexandre Kalache, Guilhème Pérodeau, Louise Plouffe, Suely Rozenfeld e o Diretor do CEPE, Roberto Magalhães.
 
O seminário foi o sexto evento do ciclo “Inovações em Políticas Públicas sobre Envelhecimento”, que já apresentou a Proposta do Chile para uma Política Nacional para Alzheimer e outras demências (21 de fevereiro); Cidade de Nova Iorque Amiga do Idoso (26 de fevereiro); Estado de São Paulo Amigo do Idoso (26 de março); As políticas públicas do envelhecimento no Canadá (30 de abril) e Qual é o papel das evidências na formulação de políticas públicas do envelhecimento? (16 de maio).

Para solicitar a apresentação feita neste Seminário, assim como nos demais, enviar email para ilcbrazil2012@gmail.com.
 
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O Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) é uma organização filiada à rede global de International Longevity Centers (ILCs), instituídos como “usinas de idéias” (think tanks) para políticas públicas intersetoriais voltadas ao envelhecimento populacional. Como espaço autônomo de ideias, se destina à produção do conhecimento, troca de informações, mobilização social e relações internacionais sobre os temas da longevidade e do envelhecimento. Atua em parceria com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), do Instituto Vital Brazil.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A moradia de pessoas idosas no mundo: quais são as práticas boas?

Os fatores relacionados ao lugar de moradia do idoso variam de acordo com o país pesquisado e com as condições culturais e socioeconômicas das pessoas idosas em cada país. A Aliança Global de Centros Internacionais de Longevidade (International Longevity Centers Global Alliance) publicou o documento resultante do texto de discussão (discussion paper) sobre a moradia dos idosos em 10 países, coordenado por Monica Ferreira, co-presidenta da Aliança Global. O relatório é baseado em análises de políticas públicas e boas práticas pesquisadas por dez International Longevity Centers (ILCs); todos acessíveis no site da Aliança Global.
 
A produção de discussion papers é uma iniciativa sistemática dos ILCs, constituídos como Think Tanks – “órgãos pensantes” que promovem o debate e propõem o tipo de política necessária para a área de envelhecimento. A difusão dos achados pela Aliança Global em seu site (e-dialogue) visa garantir o debate e agregar contribuições a serem incorporadas ao documento.
 
O texto sobre moradia foi gerado por pesquisa realizada em seis países mais desenvolvidos e quatro países menos desenvolvidos e abrangeu dois tipos de moradia: (1) moradia geral que abrange domicílios comuns, próprios e alugados por pessoas idosas e (2) moradia especial em asilos, casas de repouso e outros.
 
Em todos os países, mais de 80 por cento da população idosa moram em domicílios comuns. No Brasil, a maioria dos idosos mora em domicílios comuns com membros da família. Em comparação a outros países, há uma parte menor de pessoas morando sozinhas e a maioria vive em casas, seguida de 9,2 por cento em apartamentos. Menos de um por cento dos idosos brasileiros vivem em instituições. Isso é em parte influenciado pela preferência dos idosos a permanecer nas suas casas, mas também pelo baixo número de instituições.
 
Um mercado crescente na área de adaptação de casas é um dos resultados da tendência de permanecer na própria casa. Enquanto alguns países relataram tecnologias de informática que previnem a perda da autonomia, outros falaram sobre a acessibilidade física, por exemplo, em termos de portas mais largas. O relatório ressalta ainda o largo potencial para o crescimento nessa área.
 
Outro achado mostra que, em todos os países, faltam opções de moradias especiais para idosos de baixa renda. Em muitos países essas moradias são um luxo e assim inacessível para a maioria dos idosos. Vale mencionar, talvez como uma exceção, que o Estado de São Paulo se comprometeu a construir sete por cento das casas de acordo com as regras do desenho universal e tem o Programa Vila Dignidade, instituído pelo Decreto n.o 54.285, de abril de 2009, para oferecer atendimento aos idosos de baixa renda.
 
O relatório conclui que não há uma solução perfeita para a moradia de idosos. As soluções variam de acordo com as necessidades culturais e socioeconômicas de pessoas idosas em cada país. Para entender melhor quais são as possíveis soluções em contextos diferentes, a Aliança Global convida ao compartilhamento de bons exemplos e experiências no desenvolvimento de soluções que garantam uma moradia fisicamente e financialmente acessível: http://blog.ilcuk.org.uk/2013/05/22/housing-for-older-people-globally-what-are-the-best-practices-an-ilc-global-alliance-e-dialogue/

Elaboração de Ina Voelcker em colaboração com Louise Plouffe e Silvia Costa

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lideranças do Envelhecimento Ativo e Saudável discutem prioridades

Nos dias 13 e 14 de junho, a Irlanda hospedou o European Summit on Active and Healthy Ageing (reunião de lideranças do Envelhecimento Ativo e Saudável), em Dublin. A reunião foi organizada pela Rede Envelhecer Bem (Ageing Well Network), Coalizão Global de Envelhecimento (Global Coalition on Aging), em colaboração e com apoio de outros parceiros, entre eles, a Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
No contexto da estratégia da União Europeia de promover o desenvolvimento econômico e social, a reunião juntou um grupo de lideranças europeias e internacionais para identificar prioridades e fortalecer comunidades para o avanço das práticas amigas dos idosos – todos com o alvo de adicionar mais dois anos de vida saudável às nossas vidas até 2020.
 
No segundo dia da reunião,  a apresentação da Presidente do ILC-UK, baronesa Sally Greengross, “keynote speech” da sessão, estabeleceu o contexto do desenvolvimento sustentável pela adição de dois anos de vida saudável. Ela deu exemplos de várias iniciativas que contribuem para adicionar tempo saudável à vida das pessoas idosas e, entre outros projetos, citou as Academias de Terceira Idade na Espanha, Finlândia e no Reino Unido, além de uma usina da BMW na Alemanha que foi criada considerando especificamente as mudanças demográficas. Nessa usina, por exemplo, há uma fisioterapeuta que ensina aos funcionários como se movimentarem durante o plantão deles.
 
O conceito da cidade amiga do idoso foi visto como uma medida central para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável, principalmente em um período de austeridade. Nesse contexto a “Aldeia Europeia de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso” (European Village) representa um espaço indispensável para compartilhar e apresentar iniciativas amigas do idoso. Estes exemplos práticos foram todos exibidos em estandes e alguns foram apresentados oralmente. A Aldeia foi visitada por todos os participantes e a praça da Aldeia serviu como um espaço de discussão.
 
A Aldeia foi aberta com uma palestra do presidente do ILC-BR, Alexandre Kalache - “pai da iniciativa Cidade Amiga do Idoso”. Ele apresentou exemplos da América Latina - de São Paulo e do Chile. Kalache contou como a iniciativa nasceu em Copacabana no Rio de Janeiro e se expandiu pelo mundo – neste momento em que os idosos têm uma nova fase de vida que ele chama de “gerontoloscência”.
Alexandre Kalache e Franklin Apfel abrem a “Aldeia Europeia de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso”
 
Um resultado chave da reunião é a Declaração de Dublin 2013, baseada na Declaração de Dublin sobre Cidades e Comunidades Amigas do Idoso de 2011. Essa Declaração tem o objetivo de solicitar apoio para ações continuadas que podem contribuir para a criação de uma Europa Amiga do Idoso até 2020.
 
Site do evento

Elaboração de Ina Voelcker em colaboração com Silvia Costa

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aula Magna sobre envelhecimento ativo na Universidade de Valencia

A importância da postura positiva diante do envelhecimento e recomendações sobre a “gerontolescência” como fase da vida ativa e de plenitude profissional foram alguns dos tópicos da Aula Magna ministrada pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache no final de maio, na Faculdade de Medicina da Universidade de Valencia, na Espanha.
 
Kalache falou para um auditório lotado com 500 profissionais de saúde e da área social de Valencia, no âmbito da V Jornada La Saleta Innova - um projeto do grupo espanhol Geroresidencias, que se dedica à erradicação da contenção física ou química que imobiliza o idoso institucionalizado. O projeto La Saleta é constituído por um conjunto de centros de cuidados da pessoa idosa, criado em Valencia, em 2008, quando havia uma prevalência de 37% de contenção. A Jornada faz parte de um convênio de formação profissional celebrado entre o projeto La Saleta e a Universidade de Valencia.
 
Ao abordar sua perplexidade diante do envelhecimento populacional em uma situação de crise econômica tão importante como a que vem sendo enfrentada pela Espanha ultimamente, Kalache analisou que o desafio é pensar como preservar e estimular a solidariedade intergeracional com tantas pessoas idosas em um contexto de 57% de desemprego dos mais jovens. “Sobre esse desafio, só posso dizer que uma sociedade mais amigável aos idosos, será também uma sociedade amigável para todas as pessoas: ‘AGE friendly’”, disse Kalache.
 
Foi ampla a cobertura da imprensa, com matérias publicadas no jornal El País, periódico mais influente da Espanha, na TVE (Televisión Española), no Canal 9 e em diversas rádios locais.
 
 
 
 

Prevenção de abuso e negligencia de pessoas idosas na Europa

Os países da União Europeia mantêm uma agenda especial para o tema dos direitos humanos das pessoas idosas, permeado por questões inerentes ao envelhecimento populacional vivenciado pelo mundo todo e, em particular, pelas regiões desenvolvidas, que já convivem com um maior numero de idosos muito antes dos países em desenvolvimento.
 
Essa é a preocupação do Simpósio Regional, organizado conjuntamente pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Escritório Regional para a Europa e a Comissão Europeia, realizado em 17 e 18 de junho, em Bruxelas, com cerca de 90 participantes, entre representantes dos Estados-Membros, organizações da sociedade civil, instituições de direitos humanos e organizações internacionais e regionais.
 
O evento resultou de esforços coletivos, de caráter internacional, para refletir e agir sobre o tema dos direitos humanos das pessoas idosas. As projeções de aumento da população idosa na União Europeia prevêem um salto sem precedentes no número de cidadãos até o final da presente década. Esse incremento precisa ser acompanhado do desenvolvimento de mecanismos de proteção e de melhorias das lacunas existentes nos programas e políticas destinados aos direitos humanos das pessoas idosas.
 
No painel intitulado “Direitos humanos nas sociedades em processo de envelhecimento”, coube ao médico e gerontólogo Alexandre Kalache estabelecer o contexto para essa sessão e para a conferência, com o objetivo de dar o tom para todo o Simpósio, com foco na situação das pessoas idosas sob a perspectiva dos direitos humanos. Kalache destacou as mudanças demográficas mais relevantes para a Europa, indicou os principais desafios para uma sociedade em processo de envelhecimento e em que medida os desafios criam problemas de direitos humanos, além de discutir quais soluções podem ser propostas.
 
Alexandre Kalache é presidente do Centro Internacional de Longevidade (ILC-BR), uma organização filiada à rede global de International Longevity Centers (ILCs), instituídos como “usinas de idéias” (think tanks) para políticas públicas intersetoriais voltadas ao envelhecimento populacional. O ILC-BR atua em parceria com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Cepe), do Instituto Vital Brazil, um projeto da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro que tem como objetivo realizar avaliação interdisciplinar dos idosos, promover o envelhecimento saudável e ser um ambiente de debates e formação voltada para a saúde do idoso.

 Ler também:

Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa

Prevenção de abuso contra a pessoa idosa

terça-feira, 18 de junho de 2013

Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa


A data para a mobilização em torno do combate à violência contra a pessoa idosa, 15 de junho, foi marcada por extenso debate sobre fatores como a relação do abuso com o estigma da velhice, impacto na Saúde, prevenção e políticas públicas internacionais capazes de contribuir com melhorias. O debate foi realizado no dia 14 de junho, de 8h às 17h, durante o Simpósio sobre o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, organizado pelo Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Cepe), do Instituto Vital Brazil.
 
O “Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa” foi estabelecido pela Rede Internacional de Prevenção de Maus-Tratos Contra Idosos (Inpea), em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). É divulgado no Brasil pelo Ministério da Saúde em consonância com o objetivo definido pelo Inpea de “sensibilizar a sociedade para o combate às diversas formas de violência cometidas contra a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos”.
 
A realização do Simpósio surgiu da preocupação da equipe clínica do Cepe com as questões relacionadas à violência contra a pessoa idosa, em iniciativa que agrega mais esse campo de reflexão às atividades dos profissionais e “confirma a missão do Cepe, ou seja, promover a discussão de temas relacionados ao envelhecimento congregando os diversos segmentos da sociedade envolvidos”, como analisa Roberto Magalhães, Diretor Geral do Cepe.
 
As apresentações dos especialistas da área acadêmica, do cuidado de saúde, de políticas públicas e de órgãos de proteção e de governo, abordaram as diversas formas de violência praticada contra idosos - a física, sexual, psicológica, econômica, financeira, abandono, negligência e autonegligência. Entre os pontos centrais do debate, destacou-se a necessidade de abordagem multiprofissional e intersetorial e de observação atenta para identificar o que é sinalizado e nem sempre explicitado pela pessoa idosa como ato de violência.

Ler também "Prevenção de abuso contra a pessoa idosa"
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cepe amplia perspectivas de educação continuada em novo curso para cuidadores

Começa a primeira turma do Curso de Capacitação para Cuidadores de Idosos destinado tanto ao profissional de saúde de instituições públicas, quanto ao cuidador informal. O objetivo é qualificar o cuidado com o idoso, em um curso de 164 horas com duração de 20 semanas. A primeira aula foi aberta no dia 6 de junho pela Direção do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Cepe) e convidados, com a palestra de Daniel Groiman, pesquisador atuante com formação de trabalhadores na saúde do idoso e políticas públicas para o cuidado e envelhecimento, sobre a importância da formação do cuidador e o cenário nacional.
Mesa de Abertura
 
A iniciativa do Cepe “surgiu da necessidade de aprofundar questões que são abordadas na atividade de sensibilização já existente”, diz a Diretora de Pesquisa, Thelma Rezende. O compromisso do Cepe com educação continuada na área do envelhecimento inclui cursos e ações, entre elas, o programa de sensibilização com duração de oito horas, em que são abordados pelos professores temas gerais sobre o cuidado com o idoso.
 
O planejamento do Curso de Capacitação para Cuidadores de Idosos articula atividades teóricas e práticas que, segundo Thelma Rezende “levarão a um maior conhecimento sobre as especificidades desta etapa de vida, tanto em relação aos cuidados físicos, de vida prática, quanto às características afetivas e cognitivas.”
 
Coordenado pela enfermeira Rosângela Martins Gomes, o curso será desenvolvido em aulas semanais até o mês de novembro, para 30 alunos, em uma turma formada, entre outros profissionais, por agente comunitário de saúde, cuidador informal, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, técnico de enfermagem. As atividades práticas serão realizadas em uma instituição estadual de longa permanência, durante estágio de 40 horas, no Abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso. A coordenadora, Rosângela Gomes, afirma que a “qualidade do estágio é garantida pela participação de seis professoras, o que representa um professor para cada cinco alunos”.
Coordenadora do curso, Rosângela Martins Gomes
 
Para a Assessora da Direção do Cepe, Luiza Machado Maia, “há especificidades relacionadas à pessoa idosa e ao processo de envelhecimento que devem ser divulgadas para todos”. Em um contexto em que 23 milhões de pessoas têm mais de 60 anos e o envelhecimento não é homogêneo, os familiares das pessoas idosas, as comunidades e os serviços proporcionam algum tipo apoio àqueles que preferem continuar em suas casas. Entretanto, continua Luiza, “com o impacto de doenças crônicas degenerativas que surgem com o avançar da idade, em muitos casos os agravos levam à dependência e à necessidade de ajuda para o desempenho de atividades de vida diária.”
 
O Cepe é um projeto da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, gerenciado pelo Instituto Vital Brazil, que tem como objetivo realizar avaliação interdisciplinar dos idosos, promover o envelhecimento saudável e ser um ambiente de debates e formação voltada para a saúde do idoso com perspectiva de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Envelhecimento Saudável em foco no Rio de Janeiro


A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida (SESQV), com apoio do FUNCEFET (Fundação de Apoio CEFET), promoveu o Simpósio Internacional de Envelhecimento Saudável, nos dias 5 e 6 de junho, para apresentar as mais recentes pesquisas e tendências sobre a vida saudável na velhice, para profissionais de saúde e interessados que atuam na área do envelhecimento.
 
O Simpósio foi realizado no auditório da Ordem dos Advogados, no Rio de Janeiro, com mesa de abertura coordenada pela Secretária da SESQV, Cristiane Brasil, e um público constituído, em sua maioria, por servidores públicos. Para a conferência internacional de abertura, foi convidado o pesquisador Steven Fleck, da Associação Norteamericana de Condicionamento e Força (National Strength and Conditioning Association - NSCA).
 
Na parte nacional do programa, com o tema “Qualidade de Vida na Maturidade”, o professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, Estélio Henrique Martins Dantas falou sobre treinamento desportivo e envelhecimento. E os “Aspectos Sociais do Envelhecimento” foram discutidos pelo Prof. Dr. Edmundo Drummond, da Universidade Federal Fluminense – UFF.
 

As contribuições internacionais sobre políticas públicas de envelhecimento ativo foram apresentadas pelas pesquisadoras Dra. Louise Plouffe e Ina Voelcker, originárias respectivamente do Canadá e da Alemanha, integrantes do Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR).

Na exposição sobre a iniciativa “Cidade Amiga do Idoso”, o envelhecimento global analisado pela Dra. Louise Plouffe mostrou o crescimento da população idosa no período de 1950 a 2050, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, e os dados da urbanização no passado (1960) e no futuro, com projeções para 2025. Esse cenário demanda a implantação de políticas baseadas em um ambiente inclusivo e acessível com vistas ao envelhecimento ativo – alicerce das iniciativas com o enfoque “Amigo do Idoso”.
A Dra. Plouffe mencionou que há outras iniciativas parecidas, como “Livable Communities”; “AdvantAge” e “elder-friendly communities”, mas ressaltou “a originalidade da Cidade Amiga do Idoso: é global; as cidades de países desenvolvidos e em desenvolvimento são envolvidas como parceiros iguais; é baseada em um conceito teórico – o Marco Político do Envelhecimento Ativo e sua abordagem de curso de vida; tem uma abordagem de baixo para cima (vozes dos idosos) e entende os idosos como protagonistas.”
 
Ina Voelcker descreveu a estratégia de implantação da iniciativa “Cidade Amiga do Idoso”, baseada em oito eixos e no Protocolo de Pesquisa contendo a metodologia já aplicada a cerca de mil localidades em todo o mundo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Disponível palestra de Alexandre Kalache no TEDxUFRJ


A curadoria do evento com a marca TEDx trouxe para a UFRJ diversas palestras que divulgam, segundo expressam os organizadores, “ideias que merecem ser espalhadas”.  O TEDxUFRJ foi realizado no dia 18 de dezembro passado, pela Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
Hoje, foi publicado o vídeo da palestra de Alexandre Kalache que, diz Márcia Tavares, uma das curadoras, “levou ao palco o tema longevidade e inspirou a reflexão brilhante sobre o que vamos fazer com os 30 anos a mais que teremos de vida”.
 
Vídeo da palestra de Alexandre Kalache

terça-feira, 21 de maio de 2013

Qual é o papel das evidências na formulação de políticas públicas do envelhecimento?


O aspecto inovador do seminário sobre políticas públicas baseadas em evidências destacado por um dos debatedores, pode ser considerado um dos pontos altos do evento realizado no dia 16 de maio, pelo Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Cepe) em parceria com o Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil).

A observação do debatedor convidado, o médico sanitarista Alfredo Scaff, traçou um paralelo com a medicina baseada em evidências, uma prática relacionada às revistas científicas, aos artigos e capítulos de livro. “Pensei que ia chegar aqui e ver uma lista de artigos científicos para discussão no seminário”, disse Scaff e acrescentou não ter imaginado que a fala de uma pessoa entrevistada durante uma pesquisa seria uma evidência, como apresentado por Ina Voelcker, pesquisadora e gerontóloga do ILC-Brazil, condutora da palestra central do seminário. Scaff apreciou essa abordagem de políticas públicas baseadas em evidências como “brilhante”.

Ina Voelcker discutiu como as políticas públicas para o envelhecimento populacional são imprescindíveis, com a responsabilidade igualmente atribuída a cidadãos e governos e a utilização conjugada das abordagens qualitativas e quantitativas - com destaque para a escuta das vozes dos idosos. A pesquisadora ressaltou o papel desempenhado pelas evidências no ciclo que começa na identificação de necessidades e segue na proposição, implantação, monitoramento, avaliação e reformulação (policy making) de políticas. Segundo Ina “os idosos também têm importante função no monitoramento”.

Toda a base da argumentação da pesquisadora Ina Voelcker foi referenciada pelo conceito de envelhecimento ativo, orientador das experiências relatadas em sua exposição, com exemplos nos níveis global, regional, nacional e estadual/local. Na primeira parte abordou iniciativas de índices e conjuntos de indicadores, enquanto na segunda apresentou exemplos de como pessoas idosas podem participar ativamente no planejamento e no monitoramento/avaliação de políticas públicas que lhes dizem respeito através da coleta e uso de dados qualitativos e quantitativos. Ao discutir as razões para a construção de índices, apresentou vantagens – entre elas a contribuição à interpretação de dados – e desvantagens – como a possibilidade de provocar conclusões simplistas.
 

Nesse sentido, o mediador do debate, médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-Brazil, mencionou que as críticas mundiais ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) convivem com seu uso permanente para apoio a análises, planejamento e comparações. “Nenhum país quer figurar nas piores colocações do IDH”, comentou.

A pesquisadora da Fiocruz, Dalia Romero, avaliou que pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa são indissociáveis e que a “separação dos dois tipos existente no passado foi superada”.

 


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O Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) é uma organização filiada à rede global de International Longevity Centers (ILCs), instituídos como “usinas de idéias” (think tanks) para políticas públicas intersetoriais voltadas ao envelhecimento populacional. Como espaço autônomo de ideias, se destina à produção do conhecimento, troca de informações, mobilização social e relações internacionais sobre os temas da longevidade e do envelhecimento. Atua em parceria com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), do Instituto Vital Brazil.