sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Políticas de Envelhecimento Ativo implantadas em cidade australiana... e no Brasil?

Uma cidade onde se aproveita a vida ao máximo: promove saúde e bem estar, é acessível para todos e oferece oportunidades para que as pessoas se conectem, participem e possam contribuir. Segundo o prefeito da Cidade de Unley, na Austrália, esses são princípios para uma cidade amiga das pessoas idosas.

Para o prefeito Lachlan Clyne, a premissa central da Estratégia de Envelhecimento Ativo da Cidade de Unley - recém publicada, é que “o envelhecimento é motivo de celebração”. No prefácio da publicação sobre a Estratégia, o prefeito Clyne afirma que há maior compreensão do envelhecimento e de sua influência na vida de cada um e na comunidade.

O elemento chave para o engajamento de Unley em um projeto de Cidade Amiga do Idoso se originou da participação no Programa “Thinker in Residence” em que Alexandre Kalache, em 2011/2012, desenvolveu os estudos sobre a Revolução da Longevidade, com base no conceito de Envelhecimento Ativo. Kalache também é prefaciador desta publicação.

Logo em seguida, em 2012, a Cidade de Unley criou o primeiro Conselho na Austrália do Sul (que agora conta com treze) e se vinculou à Rede Global da OMS de Cidades Amigáveis aos Idosos. Essa adesão à Rede significa que Unley é uma cidade onde as pessoas são capazes de contribuir independente da sua idade e representa uma demonstração concreta de que o município se empenha em melhorar a qualidade de vida dos moradores mais velhos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Varal Natalino do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento

Um grupo de pessoas idosas frequentou as aulas da Oficina Criativa com Livros Artesanais para produzir o Varal Natalino do Cepe (Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento, do Instituto Vital Brazil – vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro).

Para encerrar o ciclo de aulas, todos penduraram seus livros no “Varal”, com motivos natalinos. Algumas pessoas confeccionaram presentes afetivos para os seus. Outros, registraram suas lembranças. No final, lá estavam os livros no Varal Natalino.

Participantes da Oficina pendurando seus produtos
A coordenadora geral do Cepe, a médica Thelma Rezende, na abertura do evento, ressaltou como achou bonito ver as trocas entre os participantes durante a Oficina, nessa atividade voltada ao desenvolvimento de novas habilidades e ao estímulo da cognição. Para Thelma, “... é preciso achar graça na vida, colocar cor na vida.” Enfatizou, ainda, que esse evento fecha o ciclo de atividades do Cepe para a comunidade, este ano.

Entre os participantes, a maioria era de mulheres, mas havia um homem. A Oficina foi idealizada pelo Designer Gráfico do Cepe, Boris Garay, também tutor, juntamente com a Psicóloga Patrícia Fernandes e a Terapeuta Ocupacional Helena L. Rawet.

Foi feita uma apresentação da Oficina Criativa com Livros Artesanais para a montagem de composições visuais com desenho, recortes e fotografias. Boris Garay explicou que o objetivo era produzir livros personalizados, em que cada participante escolhe o título e cria a capa. Segundo Boris, “a ênfase é no visual, devido à heterogeneidade da população e ao aumento da cultura da imagem em nossa sociedade, especialmente a partir dos anos 50, quando surge a televisão.”

A primeira iniciativa, Oficina do Livro Criativo, gerou o Varal Literário.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mobilidade Urbana e o envelhecimento populacional no Rio de Janeiro

Caminhar pela cidade...
Em momento de esforços para repensar a mobilidade das pessoas pelas cidades, com qualidade nos deslocamentos por seus espaços, coloca-se a oportunidade de discutir o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) para o município do Rio de Janeiro à luz das demandas da população idosa.

O Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) esteve presente em iniciativas da Prefeitura do Rio de Janeiro abertas à participação social para o desenvolvimento do PMUS: (1) Encontro “Que mobilidade queremos”, dia 14 de março, promovido pelo ITDP Brasil com o apoio da Prefeitura; (2) Oficina Participativa para o PMUS, em 25 de julho; e (3) Apresentação e discussão do Diagnóstico da Mobilidade no Rio, dia 5 de dezembro. O ano de 2015 marca o prazo final para que os municípios brasileiros com mais de 20.000 habitantes apresentem um plano local, conforme estabelecido pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Nº 12.587, de 3 de Janeiro de 2012).

A potencial oportunidade da Prefeitura para receber demandas da população idosa ficou incompleta, por ter-se limitado ao planejamento da gratuidade no transporte e da acessibilidade aos veículos. Entretanto, o preparo da sociedade vai muito além, posto que "mobilidade urbana" pressupõe também, entre outras questões, as relações humanas e as atitudes de profissionais e usuários, para a superação de conflitos suscitados por estigmas e discriminação.

Quanto às relações no setor de transportes, a qualificação dos profissionais é essencial para que lidem com o envelhecimento da população, devendo estar empoderados para recomendar respeito aos assentos preferenciais e gentileza aos demais passageiros. Devem também garantir o embarque de todos e o cumprimento da legislação sobre a gratuidade, assim como promover uma atitude de tolerância com os beneficiários da Lei.

Na dimensão estrutural dos ônibus, entre outros pontos a serem melhorados, está a instalação de apoio dianteiro nos assentos preferenciais, visando diminuir o risco de acidentes  em caso de freadas bruscas e solavancos, além do ajuste em avisos e informes do interior dos ônibus e das paradas, que usam letras pequenas e textos longos, dificultando a leitura.

SOBRE O PMUS

Na Cidade do Rio de Janeiro, a elaboração do PMUS é conduzida pela Secretaria Municipal de Transportes e pelo laboratório da Prefeitura, o LabRio, que especifica em seu site que a participação da sociedade no PMUS “acontece nos níveis de consulta e envolvimento”, com ferramentas digitais e presenciais.

  • A Oficina Participativa acima citada (25 de Julho) tinha como objetivo o levantamento de problemas pelos participantes, segundo Áreas de Planejamento (AP) da cidade, para sistematização pelas as equipes do LabRio e da Secretaria Municipal de Transportes.
  • No decorrer da reunião deste sábado, dia 5 de dezembro, para “Apresentação e discussão do Diagnóstico da Mobilidade no Rio”, as equipes do LabRio e da Secretaria Municipal de Transportes ressaltaram o caráter estratégico do PMUS, que não incluirá as questões operacionais encaminhadas pela Oficina de 25 de julho e por meio do sistema Mapeando.

Sendo assim, para além da gratuidade e da acessibilidade, o ILC-BR recomenda que o PMUS, em consideração ao envelhecimento humano, proponha políticas de respeito aos direitos de cidadania e à qualidade de vida das pessoas idosas. O crescente envelhecimento populacional é uma conquista que traz o desafio de preparar uma sociedade inclusiva e adequada aos cidadãos idosos, em vista de seus direitos e das singularidades dessa etapa da vida, ademais da tendência de que muitas pessoas venham a experimentar a velhice. O PMUS orientará investimentos durante os próximos 10 anos e seu escopo deve contemplar a transição demográfica que caracteriza o período.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Igualdade salarial para mulheres e homens?

Diferenças entre mulheres e homens, alterações demográficas profundas e um acelerado envelhecimento populacional influenciam a vida social com reflexos no atual paradigma das relações entre gêneros. Apesar de não haver mais lugar para papéis de gênero inflexíveis, as mudanças são demoradas. A menor expectativa de vida do homem em relação à mulher e a tradição do cuidado atribuído à mulher, entre outros fatores, produzem a chamada “feminização do envelhecimento”, com efeitos cumulativos das desvantagens baseadas em gênero.

Só agora as mulheres estão ganhando o mesmo valor de salários que os homens ganhavam em 2006. Situação decorrente da lenta redução da disparidade de oportunidades econômicas entre homens e mulheres – um período de dez anos que sugere que o mundo vai levar mais de 118 anos - ou até 2133 - para fechar essa lacuna. 

Segundo o Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2015, do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), lançado no dia 19 de novembro, o Brasil aparece na posição 85. Assim, o Brasil não está entre os 10 melhores, nem mesmo entre os países latino-americanos.

O Relatório analisou a disparidade global de gênero em quatro pilares: oportunidade econômica, educação, saúde e política. “Em termos econômicos, a desigualdade diminuiu apenas 3%, com avanços em direção à igualdade salarial e à paridade da força de trabalho e atraso significativo desde 2009/2010”.

No pilar da educação, a situação é mista quanto ao acesso. No geral, a disparidade de gênero na área de educação é agora de 95%, ou seja, distante da paridade em 5%, o que indica uma melhoria em relação aos 92% em que se encontrava em 2006. Em todo o mundo, 25 países já eliminaram essa lacuna, sendo o maior progresso no ensino universitário, onde as mulheres constituem agora a maioria dos estudantes em quase 100 países.

Entretanto, os avanços nesse pilar não são tão gerais, pois 22% dos países monitorados continuamente nos dez anos de pesquisa tiveram um aumento da desigualdade no tocante à educação. Constata-se também grande falta de correlação entre a participação de mais mulheres na educação e sua capacidade de ganhar a vida por meio de funções qualificadas ou de liderança.

Com 96%, a Saúde é o pilar que está mais próximo da paridade. Foram 40 países que fecharam a lacuna, sendo cinco nos últimos doze meses. 

Vídeos com depoimentos de membros do Conselho da Agenda Global (Global Agenda Council) sobre Paridade de Gêneros, durante o Summit on the Global Agenda 2015:


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Qual é o lugar do Cuidado Paliativo no sistema de saúde?

Uma definição de cuidados paliativos estabelecida, em 2002, pela Organização Mundial da Saúde, é uma formalização relativamente recente, por que a “filosofia paliativista” tem registros históricos desde a Antiguidade, quando aparece o conceito de “cuidar”, segundo o site da Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Desde as primeiras práticas, a trajetória dos cuidados paliativos está relacionada ao alívio do sofrimento humano, mais do que à cura.

A partir da esquerda: Anelise Fonseca, Kylza Estrella,
Filipe Gusman, Lilian Henneman e Patrícia C. Ferreira
O evento “Urgência na saúde: o lugar do Cuidado Paliativo”, promovido pela Aliança para a Saúde Populacional (ASAP), lançou uma agenda sobre o tema, que incluiu o direito de escolha dos pacientes.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Administrativo da ASAP, médico Paulo Marcos Senra Souza, afirmou que “tecnologia e dinheiro” não contribuem para a longevidade, enquanto o uso inteligente e eficiente de recursos, sim, aporta contribuições. O médico caracteriza o momento atual como uma “era de transição, decorrente de queda das taxas de mortalidade e de natalidade; aumento da expectativa de vida; transição epidemiológica; novas formas de comunicar e novas tecnologias”. Em sua análise, a prevenção do adoecimento ainda é desafiadora, “em vista das dificuldades enfrentadas pela recomendação de uma cultura de autocuidado, de criação de relação médico-paciente e de fidelidade de ambos”. Para Paulo, a superação dessas barreiras ajudaria a melhorar os indicadores de saúde-doença. Em um cenário onde todos são responsáveis, “é possível mudar o modelo de fazer gestão de saúde e se ter menos doenças e menos custos”, declara Paulo.

O médico Filipe Gusman, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos – Sudeste e geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ao falar sobre “Cuidados Paliativos: desfazendo mitos para ampliar a assistência”, apresentou uma fotografia de Unidade de Terapia Intensiva onde eram vistos os inúmeros aparelhos disponíveis para tratamento. Diante da imagem, indicou perguntas a serem feitas: “A condição do paciente é reversível? Está na última fase? Por quanto tempo manter?” E ressaltou que, por exemplo, um idoso sofrendo, espera alívio e não alta tecnologia – “ele quer ser cuidado”. Para Filipe Gusman, “os cuidados paliativos devem começar quando a pessoa recebe o diagnóstico da doença ameaçadora da vida”.

O tema “O Cuidado Paliativo no hospital e no atendimento domiciliar” foi apresentado por Anelise Fonseca, médica, coordenadora do Núcleo de Cuidados Paliativos da Procare Saúde, que discutiu os cuidados paliativos no atendimento domiciliar e na internação hospitalar. Anelise Fonseca diferenciou os modelos e estruturas nos dois tipos, que, para ela, implicam em cuidado integrado e devem “estar inseridos na discussão diária dos médicos”. 

A médica Patricia Cristina Ferreira, diretora de Relações Empresariais e Medicina Preventiva da Geriatrics, apresentou o “hospice care”, com a palestra “O Cuidado Paliativo em unidade de hospice”. Citou a dinâmica que adaptou de Alexandre Kalache, em que pergunta a pessoas e ou grupos “com que idade acham que vão morrer, como será a morte (doença, acidente etc.), onde será (hospital, asilo, em casa etc.)”, entre outras indagações. Explicou que hospice é uma filosofia do cuidado, para aplicação de cuidados paliativos intensivos a pessoas com doenças em estado avançado e ameaçadoras da vida. Disse, ainda, que “a preferência das pessoas é por morrer em casa”.

Em seguida às apresentações, um debate com os palestrantes foi moderado por Lilian Hennemann, médica do Programa de tratamento da dor e cuidados paliativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e por Kylza Estrella, Diretora Médica do Grupo Santa Celina. Entre os pontos discutidos, estavam a diferença da internação em casa e em hospital; os 10% das mortes ocorrerem de doença aguda e rápida, enquanto os demais morrem após doença prolongada; e a necessidade de que equipes de cuidados paliativos realizem um luto antecipado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Seminário Gestão do Cuidado na Atenção Domiciliar

A estratégia de desenvolvimento do tema do seminário começou pela indicação das diferenças entre “Atenção Domiciliar”, “Atendimento Domiciliar” e “Internação Domiciliar”.

<>A Atenção Domiciliar constitui-se de ações de promoção à saúde; prevenção e tratamento de doenças; e reabilitação; desenvolvidas em domicílio.

<>O Atendimento Domiciliar envolve o conjunto de atividades de caráter ambulatorial, programadas e continuadas, desenvolvidas em domicílio.

<>A Internação Domiciliar, em contraposição à internação hospitalar, consiste em atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia especializada.

A palestra do médico geriatra cearense, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), João Bastos Freire Neto, analisou a atenção domiciliar como ambiente de cuidado do idoso, considerando o que está disponível pelo Sistema Único de Saúde e pelo sub-sistema de Saúde Suplementar. Falou, ainda, sobre a formação e a demanda de profissionais capacitados em atenção à saúde da pessoa idosa, com ênfase na necessidade de esclarecer as pessoas sobre o que o geriatra faz e como atua.

Para João Bastos, a população idosa é “a principal usuária desse tipo de organização do sistema de saúde”, concebido para evitar a hospitalização; favorecer a desospitalização quando ela ocorre; treinar o paciente ou o cuidador frente às novas necessidades surgidas depois da alta; promover a adaptação e maior autonomia do paciente e de seus familiares; além de adequação e redução de custos sem perda de qualidade, prevenção precoce de complicações no domicílio e a volta do vínculo familiar e da rotina domiciliar. 

O cuidado implica a articulação de profissionais e ambientes, a adequação às necessidades de cada paciente e o uso de tecnologias (duras, leves-duras e leves), que, segundo João Bastos, se realiza por meio de “cuidados centrados no paciente, para ‘agir e tratar através dos olhos dos pacientes’”. João Bastos definiu as dimensões do cuidado como “profissional, sistêmica e organizacional”. Os elementos da dimensão profissional são a postura ética, competência e capacidade de vínculo. Na dimensão organizacional o médico descreveu como elementos importantes: o processo de trabalho, registro de informações e o relacionamento em equipe. Para a dimensão sistêmica: protocolos e normas, serviços de suporte e acesso a tecnologias.

O seminário “Gestão do Cuidado na Atenção Domiciliar” foi realizado no dia 12 de novembro de 2015, de 10h às 12h, no auditório do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento - Cepe (vinculado ao Instituto Vital Brazil), por iniciativa conjunta do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) com o Cepe.

O palestrante João Bastos, como é conhecido, é coordenador da Saúde da Pessoa Idosa na Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, primeiro representante do estado do Ceará a gerir a SBGG nacional. João Bastos presidiu a SBGG Ceará (SBGG-CE) de 2010 até assumir a presidência nacional para o período 2014-2016. Sua experiência clínica inclui idosos assistidos em domicílio (home care), saúde do idoso na atenção primária e gerenciamento de doentes crônicos, entre outros. Ele é especialista em Clínica Médica, Medicina de Família e Comunidade e Geriatria pela Associação Médica Brasileira (AMB).  

A partir da esquerda: Alexandre Kalache, João Bastos, Silvia Pereira e Débora Teixeira

Com moderação de Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR e co-presidente da Aliança Global de Centros Internacionais de Longevidade, o debate teve a participação das médicas Débora Teixeira, representando Guilherme Wagner, superintendente da Atenção Primária, Subsecretaria de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde (SUBPAV)/Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro; e Silvia Regina Mendes Pereira, geriatra, professora na Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e membro do Conselho Consultivo do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR).

Presente ao seminário, o geriatra José Elias Pinheiro também contribuiu com uma fala especial e afirmou que “a atual e a próxima provável diretoria da SBGG estão alinhadas para dar continuidade a todos os projetos em curso e futuros”. José Elias apresentará candidatura para a próxima gestão da SBGG, período 2016-2018 e já interage com João Bastos para promover a continuidade.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pela primeira vez envelhecimento é tema de evento

“Salzburg Global Seminar” atrai para a cidade de Salzburg, na Áustria, as personalidades de maior destaque em suas áreas de expertise. Ao longo de 65 anos, o evento vem reunindo lideranças para refletirem sobre soluções criativas para preocupações globais. Foram abordados diversos temas ao longo das décadas e somente este ano o envelhecimento foi incluído no debate, sob o título “O Envelhecimento das Sociedades – inovação e equidade” (Ageing Societies: advancing innovation and equity).

O “Salzburg Global Seminar” foi realizado de 1º a 5 de novembro, com o foco em três eixos: a economia do envelhecimento diante da sustentabilidade dos sistemas de bem-estar social; a força de trabalho, inovação e tecnologia; a sociedade e as famílias. A escolha do tema se baseou no aumento exponencial da população idosa e em seus reflexos de ordem demográfica, epidemiológica e social, que influenciam a demanda de cobertura pelos sistemas de proteção, os benefícios requeridos por esse grupo etário, os arranjos familiares e públicos de prestação de cuidado.

Photo: Salzburg Global Seminar/Ela Grieshaber
Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) e co-presidente da Aliança Global de Centros Internacionais de Longevidade, presidiu a edição do Seminário juntamente com Janice Chia, fundadora e diretora do Ageing Asia, de Singapura.

Em sua palestra de abertura, “Abordagem holística da sociedade que envelhece”, Kalache ilustrou as mudanças decorrentes da cada vez mais numerosa população idosa, ao contar que o bairro de Copacabana está muito diferente: “eu nasci em uma maternidade, em Copacabana, que é hoje um hospital geriátrico”. Além de abrir o Seminário, Kalache coordenou um grupo de trabalho, moderou um painel e está à frente da elaboração do relatório “Declaração de Salzburg”, que estabelece prioridades e recomendações destinadas a redes na área do envelhecimento.