sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Congresso GeriatRio debateu com palestrantes internacionais e nacionais

Muitas são as questões que perpassam o envelhecimento populacional e os sistemas de saúde no Brasil e em outros países. Com o objetivo de promover constante atualização profissional, a Seção Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) realizou o VII Congresso de Geriatria e Gerontontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio), com o tema “Complexidades e Demandas do Sistema de Saúde”. O evento foi de 30 de outubro a 2 de novembro e teve abertura solene feita pela presidente nacional da SBGG, Nezilour Lobato Rodrigues.
 
Rodrigo Serafim, Presidente da Seção Rio de Janeiro da SBGG, e Nezilour Lobato Rodriques, Presidente Nacional da SBGG
 
Em extensa grade de debates, a estratégia para discutir a inserção da pessoa idosa no contexto do sistema de saúde, no qual se articulam os profissionais de geriatria e gerontologia, abrangeu desde questões pontuais, como doenças cerebrovasculares, até as mais amplas, como políticas públicas e ciência. Os palestrantes internacionais contribuíram com relatos de experiência de suas localidades e intercâmbio de informações com os interlocutores presentes ao Congresso.
 
Consolidação de parcerias
 
As organizações atuantes no campo do envelhecimento juntam expertises para desenvolvimento de ações e projetos em parceria, que fortaleçam o campo onde se articulam, com benefícios para a sociedade e para os profissionais da geriatria e gerontologia.
 
O estabelecimento da parceria da SBGG com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e com o Centro Internacional de Longevidade (ILC-BR) se expressa em diversos pontos e foi intensa na participação de seus experts no Congresso.
 
A parceria decorre do empenho em aproximar as instituições, propiciado pelo Presidente da Seção Rio de Janeiro da SBGG, Rodrigo Bernardo Serafim, e pela Presidente do Departamento de Gerontologia, Maria Angélica dos S. Sanchez.
 
CEPE
 
Dois profissionais do CEPE, Luiza Machado Maia (assistente social, especialista em políticas públicas na área do envelhecimento e assessora da Direção do CEPE) e Alessandro Carvalho (fisioterapeuta, docente e pesquisador na área de envelhecimento e exercício físico), participaram da Oficina Pedagógica “Currículo e carga horária mínimos para formação de cuidador de idosos”, coordenada por Maria Angélica Sanchez e Marília Berzins. O objetivo da SBGG foi reunir pesquisadores, docentes e lideranças diretamente envolvidos neste cenário para debater quatro tópicos específicos pertinentes à formação de cuidadores de idosos profissionais: carga horária, conteúdo, formação do docente e metodologia.
 
A excelência dos profissionais e a experiência do CEPE com o “Curso de Cuidador Social” (Carga horária de 164h) oferecem especial contribuição à SBGG, a partir da qualificação do cuidado de idosos, pelo desenvolvimento de habilidades e competências em relação aos cuidados e à promoção da saúde do idoso dependente. O curso do CEPE se estrutura em aulas teóricas, práticas e visita a uma instituição de longa permanência de idosos.
 
Outra participação de destaque foi o trabalho intitulado "Impacto das medicações anticolinérgicas sobre a cognição nos idosos" de Annibal Truzzi, Vanessa Mendes, Roberta Parreira, Alessandro Carvalho, Monica Kramer, Jerson Laks e Thelma Rezende, apresentado na sessão de temas livres. Assim como o pôster sobre "Fragilidade e autopercepção de saúde em um grupo de idosos atendidos em um pólo de atenção secundária", também de Annibal Truzzi, com Janiciene Souza, Fayanne Bom, Fernanda Borges, Roberta Parreira, Monica Kramer, Jerson Laks e Thelma Rezende.
 
ILC-BR
 
A pesquisadora do ILC-BR, a canadense Louise Plouffe, apresentou "Graduação e Pós-Graduação: panorama canadense", na mesa sobre Educação e Formação em Geriatria e Gerontologia, no dia 1º de novembro. O ponto de partida do panorama foi a escassez de geriatrias e de especialistas em gerontologia, o fato de que poucos estudantes escolhem o cuidado dos idosos e muitas barreiras – apesar disso, a pesquisadora afirmou que há esperanças.
 
Outra apresentação de Louise Plouffe, em 2 de novembro, intitulada “Políticas públicas no Canadá: podemos caminhar na mesma direção?", mostrou os componentes do sistema de saúde no Canadá, que inclui a Atenção Primária, hospitais, remédios, cuidado crônico em casa, instituições de longa permanência, cuidados paliativos e programas de respiro para o cuidador familiar. Em sua palestra puderam ser observadas as semelhanças e diferenças entre aquele sistema e o do Brasil. O tema da mesa era ‘Políticas Públicas’ e a moderação foi de Laura Maria Mello Machado, psicóloga, gerontóloga e diretora da Interage Consultoria em Gerontologia.
 
Nessa mesma mesa, Ina Voelcker apresentou "Panorama internacional das políticas públicas" com base em sua experiência de trabalho na HelpAge International, a maior ONG internacional da área de envelhecimento e desenvolvimento. O panorama traçado acompanhou uma linha do tempo com os maiores acontecimentos em termos de políticas públicas no nível internacional. A começar pela Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), passando pela I Assembleia Mundial do Envelhecimento (Viena, 1982), pelo lançamento dos Princípios das Nações Unidas para os Idosos (1996), pela comemoração do Ano Internacional dos Idosos (1999), II Assembleia Mundial do Envelhecimento (Madri, 2002) – geradora do Plano Internacional de Madri, um documento abrangente, baseado em direitos, e relevante para políticas. O Plano de Madri é um documento de referência que orienta políticas globais e foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Na linha do tempo apresentada, como desdobramentos, foram demarcados os 5 anos e os 10 anos do Plano de Madri.
 
O médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, falou sobre "Cidade Amiga do Idoso: avançamos?", na mesa sobre Resoluções, conquistas e desafios. Kalache analisou o percurso do movimento global “Cidade Amiga do Idoso” em âmbito mundial, que agrega também comunidades, unidades e setores da sociedade.
 
No último dia do Congresso, 2 de novembro, com a apresentação "Além de prevenção e tratamento - Desenvolvendo uma cultura do cuidado em resposta a revolução da longevidade", Alexandre Kalache fez o lançamento formal da "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado". A Declaração foi proposta e pactuada como produto final do Fórum Internacional ILC-BR / WDA, por um grupo de profissionais e instituições composto por algumas das maiores autoridades no campo do envelhecimento, internacionais e do país, representando instituições acadêmicas, sociedade civil, organizações intergovernamentais e do setor privado. O Fórum Internacional ILC-BR / WDA foi uma iniciativa conjunta de WDA (World Demographic Association - a Associação Demográfica Mundial), Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR), Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e Universidade do Seguro (UniverSeg), que teve lugar nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro.
 
Para fechamento do Congresso, a sessão “Conversa no sofá” trouxe Alexandre Kalache, Laura Maria Mello Machado e Silvia M. M. Costa para um momento informal, de resgate da memória da geriatria e da gerontologia no Brasil. Em sua apresentação, Silvia realçou a afinidade profissional dos dois gerontólogos em sintonia com aspectos pessoais que também se assemelham, como o pensamento vibrante, a visão de mundo positiva e a delicadeza do olhar sobre as pessoas.

Em pé, à esquerda, Silvia Costa, e sentados: Alexandre Kalache e Laura Machado.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Implantação de uma cultura do cuidado – ressonância do debate por experts

Um grupo de profissionais e instituições, composto por algumas das maiores autoridades no campo do envelhecimento  - internacionais e nacionais -, representando a sociedade civil, a Academia, organizações intergovernamentais e o setor privado, propôs e pactuou a "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado", como produto final do Fórum Internacional ILC-BR / WDA. O evento foi realizado nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro, em iniciativa conjunta do Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR) e da WDA (World Demographic Association - a Associação Demográfica Mundial),  em cooperação com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE) e Universidade do Seguro (UniverSeg).

 
A Declaração do Rio foi lançada durante o VII Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro – GeriatRio 2013, no dia 2 de novembro, com apresentação de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, e  imediatamente disponibilizada no site da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
 
 
 
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Longevidade e uma cultura do cuidado

A pessoa idosa, no Brasil e no mundo, tem sido o centro de uma mobilização da sociedade para criar estratégias e mecanismos que propiciem o envelhecimento ativo e saudável para um número crescente de idosos. Como o grupo da população que mais aumenta nos dias de hoje é o de pessoas de 80 anos e acima, encontram-se cada vez mais idosos vulneráveis, ainda que tenham tido acesso a práticas de prevenção e de tratamento.
 
O foco no tema “cuidado” surge da preocupação com a pessoa idosa fragilizada por doença ou incapacidade física ou por declínio cognitivo de alguma ordem. Origina-se, ainda, da percepção de que prevenção e tratamento se tornam insuficientes para o quadro de fragilidades identificadas em idosos que caem abaixo do limiar de incapacidade.
 
A necessária mudança de paradigma quanto ao cuidado da pessoa idosa frágil, por meio de discussões profundas e abrangentes, suscitou ação conjunta de organizações comprometidas com o campo do envelhecimento populacional para a realização de dois eventos definitivos sobre o tema. Na liderança da iniciativa, o médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil.

Consonância com a urgência do debate
 
O VIII Fórum da Longevidade Bradesco Seguros, no dia 15 de outubro, em São Paulo, promovido pela Bradesco Seguros, abriu os três dias de trabalho com o tema “Cuidar da Vida Longeva”. A presença internacional de Linda Fried, vice-presidente sênior do Instituto de Medicina da Universidade de Columbia (EUA), lançou as bases da discussão com a conferência “Conferências e Desafios da Longevidade”.
 
Nos dias que se seguiram, o Fórum Internacional WDA (World Demographic Association) - a Associação Demográfica Mundial - nos dias 16 e 17 de outubro, no Rio de Janeiro, aprofundou o debate com apresentações e grupos de discussão sobre o tema "Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Beyond Prevention and Treatment - Developing a Culture of Care). O Fórum foi uma iniciativa conjunta de WDA, Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), Universidade do Seguro (UniverSeg) e Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR).
 
Os eventos trouxeram ao Brasil a excelência de experts de diferentes países e continentes, representando diversas disciplinas e culturas, para um debate do mais alto nível no campo do envelhecimento populacional. Os aspectos do cuidado abordados foram da reforma geral da Seguridade Social às necessidades de treinamento de profissionais e modelos de cuidado no mundo (10 países). Entre os temas, o imperativo de adotar-se um enfoque baseado em direitos da pessoa idosa; as abordagens amigáveis ao idoso; desenvolvimento e a população idosa; dimensões do cuidado – de longa permanência, domiciliar, intergeracional, cuidadores, situações de crise; e dimensões éticas do cuidado, foco no fim de vida.
 
Como produto final, o Fórum gerou uma "Declaração do Rio de Janeiro - Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado", que está em fase de leitura pelos experts participantes e terá, oportunamente, a versão final disponível neste blog e em sites de organizações parceiras.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Prêmios para textos sobre longevidade estimulam contatos intergeracionais e interesse jornalístico


O convívio com pessoas idosas sempre representa oportunidade para a troca de experiências sobre os mais diferentes aspectos da vida, seja pelo conhecimento acumulado, seja pela emoção do encontro entre diferentes formas de vivenciar o mundo. Em cada geração fervilham histórias prontas para serem contadas. Assim surgiu o Prêmio Longevidade Histórias de Vida, concedido pela Bradesco Seguros há três anos.
 
No caso da produção jornalística, o Prêmio Longevidade de Jornalismo reconhece o papel estratégico da imprensa na difusão de informações sobre o tema da longevidade e sua fundamental propagação das questões implicadas no envelhecimento populacional. Uma sociedade com um número cada vez maior de pessoas idosas demanda uma preparação que só pode ser alcançada pela constante circulação de informações proporcionada pela imprensa. A Bradesco Seguros premia esta crescente participação jornalística na estruturação de uma sociedade mais amigável ao idoso.
 
Terceira edição dos Prêmios Bradesco Seguros de Longevidade
 
Idealizador do Prêmio e participante de sua organização e do quadro de jurados, desde a primeira edição, Alexandre Kalache – presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR), ex-coordenador de programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e um dos maiores experts internacionais em gerontologia - presta consultoria à iniciativa “Prêmios Longevidade Bradesco Seguros”.
 
Os candidatos aos prêmios apresentam trabalhos que são avaliados por um júri composto por profissionais de jornalismo e de gerontologia, representantes de entidades de classe do setor e de universidades, em estreita ligação com as áreas de imprensa e de marketing da Bradesco Seguros. A avaliação se baseia em critérios rigorosamente observados pelo júri, incluindo requisitos especificamente definidos, aos se atribuem pesos na análise final. A cada edição, a Bradesco Seguros abre inscrições três meses antes da premiação e já teve cerca de 400 participantes nos dois anos anteriores.
 
O Prêmio Longevidade de Jornalismo identifica a importância dos profissionais como formadores de opinião e difusores de conhecimento, buscando estimular a elaboração de trabalhos jornalísticos sobre o tema da longevidade nas categorias: Mídia Impressa (jornais e revistas) e Mídia Eletrônica (TV, rádio e web). Concorreram matérias publicadas no período de 31 de outubro de 2012 a 6 de setembro de 2013.
 
Aberto à participação de maiores de 18 anos de idade, o Prêmio Longevidade Histórias de Vida tem como principal objetivo distinguir histórias e relatos que, pelo exemplo pessoal, contribuam para a disseminação do conceito de longevidade e para a qualidade de vida da população geral e da idosa em particular.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conferência em Quebec lança Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso - RICA

Um resultado de destaque da 2a Conferência Internacional de Cidades Amigas do Idoso (2nd International Conference on Age-Friendly Cities) foi a criação da RICA - Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso/Rede Iberoamericana de las Ciudades Amigables de las Personas Mayores. A Rede aproximou colaboradores da América Latina e de Portugal presentes à Conferência e abriu suas portas para todos os parceiros lusófonos e hispânicos que desejem participar. O ponto de encontro é um site, onde estão publicadas as apresentações da Conferência feitas por representantes da Costa Rica, Chile, Argentina e México.
 
Os inúmeros experts que foram à cidade de Quebec, no Canadá, para a 2a Conferência, representam uma amostra da rápida expansão das redes de cidades, estados e países engajados no Movimento Global Cidades Amigas do Idoso.
 
A Conferência, realizada de 9 a 11 de setembro, foi promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo de Quebec, reunindo mais de 700 participantes, como gestores municipais, profissionais, pesquisadores, tomadores de decisão e pessoas idosas de 46 países. O objetivo era o compartilhamento de conhecimentos e da experiência na construção de ambientes amigáveis aos idosos.
 
O evento mostrou também a evolução da Rede Global da OMS de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso, desde a 1a Conferência Internacional, realizada em Dublin, Irlanda, em 2011, quando o foco esteve em implantação e sustentabilidade. Este ano, os temas foram Inovação Social; Interface entre os Ambientes Social e Físico; Avaliação; Aprendizagem ao longo do curso de vida.
 
A iniciativa Cidades Amigas do Idoso foi lançada em 2007 pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache – pai da iniciativa, que na época era diretor do Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da OMS – e pela doutora Louise Plouffe – considerada a mãe da iniciativa e atualmente pesquisadora senior do International Longevity Centre Brazil (ILC-BR). Em suas apresentações, os dois mostraram o estado da arte da construção de comunidades amigas dos idosos no Brasil e internacionalmente.
 
À frente da sessão plenária como keynote speaker, ao abordar o tema da construção de estados e países amigos do idoso, Alexandre Kalache enfatizou que a idade mais avançada é uma referência para se chegar ao fato de que "o que é amigável para idosos é amigável para todas as idades".
 
Louise Plouffe ajudou a conceber o conteúdo da Conferência, como membro do Comitê Científico Internacional, e também apresentou a experiência de Ottawa (sua cidade natal no Canadá), uma localidade piloto da OMS para subsidiar o desenvolvimento de indicadores básicos para as comunidades amigas do idoso.

Elaboração: Louise Plouffe
Colaboração: Silvia Costa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mais de vinte experts internacionais discutirão uma cultura do cuidado para o envelhecimento populacional

O Fórum "Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Beyond Prevention and Treatment - Developing a Culture of Care) traz para o Rio a excelência de experts representando diversas disciplinas, de diferentes países e continentes, para um debate do mais alto nível no campo do envelhecimento populacional. Como produto final, o Fórum vai produzir uma "Declaração do Rio de Janeiro sobre o Cuidar como Resposta à Revolução da Longevidade".
 
Durante dois dias, 16 e 17 de outubro, das 09:00 às 17:00, o Fórum abordará aspectos do cuidado que vão da reforma geral da Seguridade Social às necessidades de treinamento de profissionais e modelos de cuidado no mundo (10 países). Entre os temas, o imperativo de adotar-se um enfoque baseado em direitos da pessoa idosa; as abordagens amigáveis ao idoso; desenvolvimento e a população idosa; dimensões do cuidado – de longa permanência, domiciliar, integeracional, os cuidadores, épocas de crise; e dimensões éticas do cuidado, foco no fim de vida.
 
O Fórum é uma promoção conjunta da WDA Forum (World Demographic Association) com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), Universidade do Seguro e Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR).
A iniciativa é destinada a médicos, demógrafos, profissionais outros da área da saúde, gerontólogos, acadêmicos dedicados a esta área, autoridades públicas responsáveis pela elaboração de políticas para o envelhecimento (em nível municipal, estadual e federal), representantes da mídia (leiga e especializada), representantes de associações profissionais (ex. Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria, Associação Medica Brasileira, Federação Nacional de Médicos de Família, Centros de Assistência Social etc.).
 
O local de realização é a sede da Bradesco Seguros, à Rua Barão de Itapagipe, 234, Rio Comprido 20.261-005, Rio de Janeiro, RJ. As inscrições podem ser feitas no email ilcbrazil2012@gmail.com, pelo envio de nome completo, profissão, instituição, telefone e email.

PARTICIPANTES

1. Alexandre Kalache (Brasil; ILC-BR; WDA)
2. Ana Amelia Camarano (Brasil; IPEA)
3. Claudia Burlá (Brasil; Ex-Secretária Geral da Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia)
4. Dalmer Hoskins (WDA; EUA)
5. Daniel Groisman (Brasil; FIOCRUZ)
6. Denise Eldemire (Universidade das Índias Ocidentais, Jamaica)
7. Emiliana Rivera Meza (Governo Nacional da Costa Rica)
8. Enrique Vega (OPAS) – a confirmar
9. Francoise Forette (ILC-France)
10. Gabrielle Kelly (Governo da Austrália do Sul)
11. Ina Voelcker (Ex-Pesquisadora HelpAge International; ILC-BR; Alemanha)
12. Irene Hoskins (Ex-Presidente, IFA)
13. Isabella Aboderin (Rede Africana para Pesquisa sobre Envelhecimento; WDA; Alemanha)
14. Jane Barratt (Secretária Executiva, IFA; WDA; Canadá)
15. John Beard (OMS; WDA) – a confirmar
16. Jose Ricardo Jauregui (Comitê Latino Americano e Caribe -COMLAT, Argentina)
17. Lia Daichman (Ex-Presidente INPEA; ILC-Argentina)
18. Louise Plouffe (ILC-BR; Canadá)
19. Luis Miguel Gutierrez Robledo (Instituto de Envelhecimento, México)
20. Margaret Gillis (Public Health Agency of Canada) – a confirmar
21. Marília Louvison (Brasil; Escola de Saúde Pública/Universidade de São Paulo)
22. Mayte Sancho (Fundação Matia, Espanha)
23. Monica Ferreira (ILC-South Africa; WDA)
24. Nabil Kronfrol (Universidade Americana de Beirute; WDA; Líbano)
25. Norah Keating (IAGG; Universidade de Alberta, Canadá)
26. Roberto Eugênio Magalhães (Brasil; CEPE)
27. Rosy Pereira (ILC-República Dominicana)
28. Sasha Sidorenko (Ex-Coordenador do Programa do Envelhecimento da Organização das Nações Unidas; WDA, Áustria)
29. Stefan Peter Wild (WDA)
30. Thomas Szucs (WDA)

MAIS INFORMAÇÕES

Este evento assume o papel dos fóruns da WDA (World Demographic Association) iniciados em 2005, repetindo-se todos os anos no final do verão europeu na cidade universitária de St. Gallen, próxima a Zurique. Rapidamente tornaram-se a mais importante referência internacional no que toca aos aspectos demográficos, particularmente envelhecimento, e suas decorrentes implicações para políticas. O objetivo do "WDA Forum" é basicamente realizar um encontro anual de políticos, acadêmicos, organizações da sociedade civil, visando propor políticas e intervenções que promovam o envelhecimento ativo, pela adoção de uma perspectiva que encara o envelhecimento como uma conquista da sociedade e não como um "problema ou fardo".

Os WDA fóruns foram, desde o inicio, financiados por um consórcio de empresas privadas, do Governo Federal Suíço, da Universidade de St. Gallen e organizações intergovernamentais. A forte crise econômica que afeta a Europa levou a um colapso destes recursos obrigando a diretoria do WDA a virtualmente cancelar o Fórum de 2013 (haveria apenas uma reunião em escala muito menor focada em aspectos demográficos da Suíça em alemão e francês, sem a presença dos membros do Conselho Deliberativo (WDA-CD)).

A quebra de continuidade colocaria o WDA sob o risco de perder o momentum gerado pelos oito fóruns anteriores - dai a sugestão a seu Conselho Deliberativo (do qual Alexandre Kalache faz parte), em consulta e concordância com a Bradesco Seguros, de marcar 2013 com um evento do WDA em nível internacional. O Fórum Bradesco da Longevidade em São Paulo (para convidados, no dia 15 de outubro) oferecia já um pano de fundo excelente para, expandindo-o, realizar no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17, o Fórum WDA/Bradesco/CEPE/UNISEG/ILC-Brazil.
 
O WDA tem influenciado substancialmente a agenda político-acadêmica no que se refere aos temas relacionados ao envelhecimento populacional. As propostas de lá emanadas têm tido um impacto extraordinário. O fato de assegurar a realização do WDA Fórum no Brasil este ano representa um privilégio para os brasileiros, particularmente para aqueles, entre nós, preocupados com o envelhecimento populacional.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Envelhecimento e Atenção Primária à Saúde no Reino Unido – paralelos com o Brasil

O Médico de Família pode ser visto como um “condutor de orquestra”, segundo o médico britânico Patrick Hutt, que mostrou como seu país aposta em um sistema público, ancorado na Atenção Primária à Saúde e atento ao envelhecimento populacional.
 
A Inglaterra é um país envelhecido e foi o primeiro a desenvolver um “Sistema Nacional de Saúde” (The National Health Service – NHS), universal e articulado pela Atenção Primária. Com esse pioneirismo, suas práticas e políticas nessa área são experiências de relevância para o Brasil.
 
O Seminário “Atenção Primária à Saúde - mais necessária que nunca face ao envelhecimento populacional - a experiência britânica” foi realizado no dia 3 de setembro, terça-feira, de 09:30 às 12:00, no âmbito da parceria do Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) e do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE).
 
A exposição do médico britânico Dr. Patrick Hutt teve mediação do médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, e debate com os convidados, o Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), e a Professora Diana Maul de Carvalho, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
À esquerda, o Superintendentde Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), com o convidado, médico britânico Patrick Hutt ao microfone.
 
 
Um mundo em processo de mudança
 
Ao discorrer sobre a Atenção Primária à Saúde como modelo “mais necessário que nunca”, Patrick Hutt tinha como ponto de partida o Relatório de 2008, da Organização Mundial da Saúde (OMS), “2008 – WHO: Primary Care Now More Than Ever”, que recomendava a renovação do nível primário de atenção para que oferecesse melhores respostas aos desafios da Saúde em um mundo em transformação.
 
Um desses desafios é o rápido processo de envelhecimento populacional – fenômeno global expresso nos indicadores demográficos de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Diante do “aumento das comorbidades que acompanham a pessoa idosa, as equipes de Saúde da Família levam em consideração as especificidades dos idosos”, diz Patrick Hutt.
 
Em sua apresentação, o Dr. Hutt propôs uma possível síntese da experiência britânica no campo da Saúde: “o NHS foi criado em 1948; desde o início a equipe de saúde da família é a ‘porta de entrada’ do Sistema; consolidou a prática generalista (General Practice); e vem se modernizando ao longo dos últimos 30 anos.”
 
A importância do papel do General Practitioner pode ser observada nos antecedentes do modelo e no destaque atribuído pela típica cultura britânica da “Realeza”, que estabeleceu em 1952 o Colégio de Médicos de Família (College of GPs); ampliou nos anos 60 o treinamento de GPs e em 1972 tornou o Colégio uma instituição Real (Royal College of GPs). Posteriormente foi criado um Departamento Acadêmico de Atenção Primária e, em 2008, foi determinada a obrigatoriedade de exame de seleção para todos os Médicos de Família.
 
Patrick Hutt frisou que há críticas ao NHS e insatisfações inerentes a um sistema que não é perfeito, sujeito a limitações de orçamento. “O sistema precisa fortalecer a Atenção Secundária – o cuidado intermediário; superar o déficit de financiamento e sua concentração em despesas hospitalares; assim como intensificar o treinamento das equipes”.
 
Ao final a exposição, Patrick Hutt anunciou que a próxima Conferência de Saúde Rural, da Organização Mundial de Médicos de Família (World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians - WONCA), será no Brasil, em Gramado, no período de 21-25 de maio de 2014.
 
 
Em debate

Entre os pontos abordados pela Professora Diana Maul: “o atendimento da Atenção Primária mais voltado à população de baixa renda; a contenção de custos e a forma como as pressões sociais determinam as práticas de saúde, tendo como exemplo a diminuição do parto normal e a adoção do parto cesáreo como padrão para os nascimentos”.
 
O Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., ressaltou que a apresentação de Patrick Hutt mostra que “os países desenvolvidos não discutem mais o modelo de atenção”, fato que pôde constatar em visita técnica ao Canadá, onde a Atenção Primária à Saúde não mais está em discussão – ela funciona.