sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conferência em Quebec lança Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso - RICA

Um resultado de destaque da 2a Conferência Internacional de Cidades Amigas do Idoso (2nd International Conference on Age-Friendly Cities) foi a criação da RICA - Rede Iberoamericana de Cidades Amigas do Idoso/Rede Iberoamericana de las Ciudades Amigables de las Personas Mayores. A Rede aproximou colaboradores da América Latina e de Portugal presentes à Conferência e abriu suas portas para todos os parceiros lusófonos e hispânicos que desejem participar. O ponto de encontro é um site, onde estão publicadas as apresentações da Conferência feitas por representantes da Costa Rica, Chile, Argentina e México.
 
Os inúmeros experts que foram à cidade de Quebec, no Canadá, para a 2a Conferência, representam uma amostra da rápida expansão das redes de cidades, estados e países engajados no Movimento Global Cidades Amigas do Idoso.
 
A Conferência, realizada de 9 a 11 de setembro, foi promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo de Quebec, reunindo mais de 700 participantes, como gestores municipais, profissionais, pesquisadores, tomadores de decisão e pessoas idosas de 46 países. O objetivo era o compartilhamento de conhecimentos e da experiência na construção de ambientes amigáveis aos idosos.
 
O evento mostrou também a evolução da Rede Global da OMS de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso, desde a 1a Conferência Internacional, realizada em Dublin, Irlanda, em 2011, quando o foco esteve em implantação e sustentabilidade. Este ano, os temas foram Inovação Social; Interface entre os Ambientes Social e Físico; Avaliação; Aprendizagem ao longo do curso de vida.
 
A iniciativa Cidades Amigas do Idoso foi lançada em 2007 pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache – pai da iniciativa, que na época era diretor do Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da OMS – e pela doutora Louise Plouffe – considerada a mãe da iniciativa e atualmente pesquisadora senior do International Longevity Centre Brazil (ILC-BR). Em suas apresentações, os dois mostraram o estado da arte da construção de comunidades amigas dos idosos no Brasil e internacionalmente.
 
À frente da sessão plenária como keynote speaker, ao abordar o tema da construção de estados e países amigos do idoso, Alexandre Kalache enfatizou que a idade mais avançada é uma referência para se chegar ao fato de que "o que é amigável para idosos é amigável para todas as idades".
 
Louise Plouffe ajudou a conceber o conteúdo da Conferência, como membro do Comitê Científico Internacional, e também apresentou a experiência de Ottawa (sua cidade natal no Canadá), uma localidade piloto da OMS para subsidiar o desenvolvimento de indicadores básicos para as comunidades amigas do idoso.

Elaboração: Louise Plouffe
Colaboração: Silvia Costa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mais de vinte experts internacionais discutirão uma cultura do cuidado para o envelhecimento populacional

O Fórum "Muito Além de Prevenção e Tratamento: Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado" (Beyond Prevention and Treatment - Developing a Culture of Care) traz para o Rio a excelência de experts representando diversas disciplinas, de diferentes países e continentes, para um debate do mais alto nível no campo do envelhecimento populacional. Como produto final, o Fórum vai produzir uma "Declaração do Rio de Janeiro sobre o Cuidar como Resposta à Revolução da Longevidade".
 
Durante dois dias, 16 e 17 de outubro, das 09:00 às 17:00, o Fórum abordará aspectos do cuidado que vão da reforma geral da Seguridade Social às necessidades de treinamento de profissionais e modelos de cuidado no mundo (10 países). Entre os temas, o imperativo de adotar-se um enfoque baseado em direitos da pessoa idosa; as abordagens amigáveis ao idoso; desenvolvimento e a população idosa; dimensões do cuidado – de longa permanência, domiciliar, integeracional, os cuidadores, épocas de crise; e dimensões éticas do cuidado, foco no fim de vida.
 
O Fórum é uma promoção conjunta da WDA Forum (World Demographic Association) com Bradesco Seguros, Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), Universidade do Seguro e Centro Internacional de Longevidade (International Longevity Centre Brazil - ILC-BR).
A iniciativa é destinada a médicos, demógrafos, profissionais outros da área da saúde, gerontólogos, acadêmicos dedicados a esta área, autoridades públicas responsáveis pela elaboração de políticas para o envelhecimento (em nível municipal, estadual e federal), representantes da mídia (leiga e especializada), representantes de associações profissionais (ex. Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria, Associação Medica Brasileira, Federação Nacional de Médicos de Família, Centros de Assistência Social etc.).
 
O local de realização é a sede da Bradesco Seguros, à Rua Barão de Itapagipe, 234, Rio Comprido 20.261-005, Rio de Janeiro, RJ. As inscrições podem ser feitas no email ilcbrazil2012@gmail.com, pelo envio de nome completo, profissão, instituição, telefone e email.

PARTICIPANTES

1. Alexandre Kalache (Brasil; ILC-BR; WDA)
2. Ana Amelia Camarano (Brasil; IPEA)
3. Claudia Burlá (Brasil; Ex-Secretária Geral da Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia)
4. Dalmer Hoskins (WDA; EUA)
5. Daniel Groisman (Brasil; FIOCRUZ)
6. Denise Eldemire (Universidade das Índias Ocidentais, Jamaica)
7. Emiliana Rivera Meza (Governo Nacional da Costa Rica)
8. Enrique Vega (OPAS) – a confirmar
9. Francoise Forette (ILC-France)
10. Gabrielle Kelly (Governo da Austrália do Sul)
11. Ina Voelcker (Ex-Pesquisadora HelpAge International; ILC-BR; Alemanha)
12. Irene Hoskins (Ex-Presidente, IFA)
13. Isabella Aboderin (Rede Africana para Pesquisa sobre Envelhecimento; WDA; Alemanha)
14. Jane Barratt (Secretária Executiva, IFA; WDA; Canadá)
15. John Beard (OMS; WDA) – a confirmar
16. Jose Ricardo Jauregui (Comitê Latino Americano e Caribe -COMLAT, Argentina)
17. Lia Daichman (Ex-Presidente INPEA; ILC-Argentina)
18. Louise Plouffe (ILC-BR; Canadá)
19. Luis Miguel Gutierrez Robledo (Instituto de Envelhecimento, México)
20. Margaret Gillis (Public Health Agency of Canada) – a confirmar
21. Marília Louvison (Brasil; Escola de Saúde Pública/Universidade de São Paulo)
22. Mayte Sancho (Fundação Matia, Espanha)
23. Monica Ferreira (ILC-South Africa; WDA)
24. Nabil Kronfrol (Universidade Americana de Beirute; WDA; Líbano)
25. Norah Keating (IAGG; Universidade de Alberta, Canadá)
26. Roberto Eugênio Magalhães (Brasil; CEPE)
27. Rosy Pereira (ILC-República Dominicana)
28. Sasha Sidorenko (Ex-Coordenador do Programa do Envelhecimento da Organização das Nações Unidas; WDA, Áustria)
29. Stefan Peter Wild (WDA)
30. Thomas Szucs (WDA)

MAIS INFORMAÇÕES

Este evento assume o papel dos fóruns da WDA (World Demographic Association) iniciados em 2005, repetindo-se todos os anos no final do verão europeu na cidade universitária de St. Gallen, próxima a Zurique. Rapidamente tornaram-se a mais importante referência internacional no que toca aos aspectos demográficos, particularmente envelhecimento, e suas decorrentes implicações para políticas. O objetivo do "WDA Forum" é basicamente realizar um encontro anual de políticos, acadêmicos, organizações da sociedade civil, visando propor políticas e intervenções que promovam o envelhecimento ativo, pela adoção de uma perspectiva que encara o envelhecimento como uma conquista da sociedade e não como um "problema ou fardo".

Os WDA fóruns foram, desde o inicio, financiados por um consórcio de empresas privadas, do Governo Federal Suíço, da Universidade de St. Gallen e organizações intergovernamentais. A forte crise econômica que afeta a Europa levou a um colapso destes recursos obrigando a diretoria do WDA a virtualmente cancelar o Fórum de 2013 (haveria apenas uma reunião em escala muito menor focada em aspectos demográficos da Suíça em alemão e francês, sem a presença dos membros do Conselho Deliberativo (WDA-CD)).

A quebra de continuidade colocaria o WDA sob o risco de perder o momentum gerado pelos oito fóruns anteriores - dai a sugestão a seu Conselho Deliberativo (do qual Alexandre Kalache faz parte), em consulta e concordância com a Bradesco Seguros, de marcar 2013 com um evento do WDA em nível internacional. O Fórum Bradesco da Longevidade em São Paulo (para convidados, no dia 15 de outubro) oferecia já um pano de fundo excelente para, expandindo-o, realizar no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17, o Fórum WDA/Bradesco/CEPE/UNISEG/ILC-Brazil.
 
O WDA tem influenciado substancialmente a agenda político-acadêmica no que se refere aos temas relacionados ao envelhecimento populacional. As propostas de lá emanadas têm tido um impacto extraordinário. O fato de assegurar a realização do WDA Fórum no Brasil este ano representa um privilégio para os brasileiros, particularmente para aqueles, entre nós, preocupados com o envelhecimento populacional.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Envelhecimento e Atenção Primária à Saúde no Reino Unido – paralelos com o Brasil

O Médico de Família pode ser visto como um “condutor de orquestra”, segundo o médico britânico Patrick Hutt, que mostrou como seu país aposta em um sistema público, ancorado na Atenção Primária à Saúde e atento ao envelhecimento populacional.
 
A Inglaterra é um país envelhecido e foi o primeiro a desenvolver um “Sistema Nacional de Saúde” (The National Health Service – NHS), universal e articulado pela Atenção Primária. Com esse pioneirismo, suas práticas e políticas nessa área são experiências de relevância para o Brasil.
 
O Seminário “Atenção Primária à Saúde - mais necessária que nunca face ao envelhecimento populacional - a experiência britânica” foi realizado no dia 3 de setembro, terça-feira, de 09:30 às 12:00, no âmbito da parceria do Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) e do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE).
 
A exposição do médico britânico Dr. Patrick Hutt teve mediação do médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, e debate com os convidados, o Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), e a Professora Diana Maul de Carvalho, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
À esquerda, o Superintendentde Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), com o convidado, médico britânico Patrick Hutt ao microfone.
 
 
Um mundo em processo de mudança
 
Ao discorrer sobre a Atenção Primária à Saúde como modelo “mais necessário que nunca”, Patrick Hutt tinha como ponto de partida o Relatório de 2008, da Organização Mundial da Saúde (OMS), “2008 – WHO: Primary Care Now More Than Ever”, que recomendava a renovação do nível primário de atenção para que oferecesse melhores respostas aos desafios da Saúde em um mundo em transformação.
 
Um desses desafios é o rápido processo de envelhecimento populacional – fenômeno global expresso nos indicadores demográficos de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Diante do “aumento das comorbidades que acompanham a pessoa idosa, as equipes de Saúde da Família levam em consideração as especificidades dos idosos”, diz Patrick Hutt.
 
Em sua apresentação, o Dr. Hutt propôs uma possível síntese da experiência britânica no campo da Saúde: “o NHS foi criado em 1948; desde o início a equipe de saúde da família é a ‘porta de entrada’ do Sistema; consolidou a prática generalista (General Practice); e vem se modernizando ao longo dos últimos 30 anos.”
 
A importância do papel do General Practitioner pode ser observada nos antecedentes do modelo e no destaque atribuído pela típica cultura britânica da “Realeza”, que estabeleceu em 1952 o Colégio de Médicos de Família (College of GPs); ampliou nos anos 60 o treinamento de GPs e em 1972 tornou o Colégio uma instituição Real (Royal College of GPs). Posteriormente foi criado um Departamento Acadêmico de Atenção Primária e, em 2008, foi determinada a obrigatoriedade de exame de seleção para todos os Médicos de Família.
 
Patrick Hutt frisou que há críticas ao NHS e insatisfações inerentes a um sistema que não é perfeito, sujeito a limitações de orçamento. “O sistema precisa fortalecer a Atenção Secundária – o cuidado intermediário; superar o déficit de financiamento e sua concentração em despesas hospitalares; assim como intensificar o treinamento das equipes”.
 
Ao final a exposição, Patrick Hutt anunciou que a próxima Conferência de Saúde Rural, da Organização Mundial de Médicos de Família (World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians - WONCA), será no Brasil, em Gramado, no período de 21-25 de maio de 2014.
 
 
Em debate

Entre os pontos abordados pela Professora Diana Maul: “o atendimento da Atenção Primária mais voltado à população de baixa renda; a contenção de custos e a forma como as pressões sociais determinam as práticas de saúde, tendo como exemplo a diminuição do parto normal e a adoção do parto cesáreo como padrão para os nascimentos”.
 
O Superintendente de Atenção Primária, José Carlos Prado Jr., ressaltou que a apresentação de Patrick Hutt mostra que “os países desenvolvidos não discutem mais o modelo de atenção”, fato que pôde constatar em visita técnica ao Canadá, onde a Atenção Primária à Saúde não mais está em discussão – ela funciona.

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Envelhecimento abordado na televisão

A convivência com um número crescente de pessoas idosas desperta em cada um de nós a atenção para os fatores que influenciam o aumento da expectativa de vida, as conseqüentes alterações demográficas e o surgimento de especificidades nessa fase da existência.
 
O interesse pelas questões relacionadas ao envelhecimento cria extensa demanda por análise especializada, encaminhada pela mídia a Alexandre Kalache, médico e gerontólogo com experiência internacional na área.
 
Nos meses de agosto e setembro, programas de televisão veicularão temas do envelhecimento com participação de Kalache em diferentes emissoras e formatos.
 
Vale conferir:
 
20 de agosto (terça-feira) 16:00 – TV Brasil - Programa Sem Censura – tema: Envelhecimento e qualidade de vida - as propostas e desafios da ciência nesta área.
 
21 de agosto (quarta-feira) 10:40 – TV Globo - Programa Fátima Bernardes – tema: 10 anos do Estatuto do Idoso.
 
20 de setembro (sexta-feira) 19:00 – TV Cultura – Programa Café Filosófico, com Mírian Goldenberg – tema: Revolução da longevidade

Ainda sem data de exibição: TV Globo - Programa Globo Repórter – tema: velhice/longevidade

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Imunização na vida adulta contribui para um envelhecimento saudável

À medida que a população mundial envelhece - abordar a imunização na perspectiva de curso de vida se revela uma prioridade de saúde pública. A ênfase nessa perspectiva propõe a vacinação em todas as etapas da vida, inclusive na fase adulta, como uma estratégia custo-efetiva para a promoção do envelhecimento saudável.
 
O alerta de experts foi publicado pela Aliança Global para o Envelhecimento (Global Coalition on Aging - GAC) em um conjunto de documentos, incluindo um relatório detalhado, lançados com o objetivo de divulgar esse tópico de extrema importância para o envelhecimento saudável, de modo que a imunização de adultos seja inserida como aspecto central da agenda global de políticas públicas. Alexandre Kalache é um dos co-autores do relatório e dos materiais acessórios em inglês:  “Key talking points”, release e Sumário Executivo. Os “Key talking points” tiveram tradução livre pelo ILC-Brazil (Pontos Chave para discussão), abaixo disponíveis.
 
A Aliança Global para o Envelhecimento é uma organização internacional que estimula novos enfoques sobre as questões do envelhecimento populacional, preocupada com a profunda mudança demográfica em curso nas últimas décadas.

Pontos Chave para discussão
 
èA vacinação de adultos é tão importante para a saúde pública do século XXI quanto a vacinação de crianças. O número de pessoas com mais de 60 anos chegará a um bilhão muito em breve e alcançará dois bilhões no meio do século.
 
èAs organizações internacionais começaram a reconhecer o potencial da vacinação de adultos. As organizações “International Federation on Ageing” e “International Longevity Center” reconheceram a importância da imunização de curso de vida. No momento, as taxas permanecem muito abaixo de níveis desejáveis.
 
èCada vez mais pesquisas mostram os benefícios para a saúde e o custo-efetividade da vacinação de adultos. Um estudo mostra o impacto de doenças transmissíveis prevenidas pela vacinação em comparação ao diagnóstico precoce do câncer através de rastreamento e à cessação do hábito de fumar.
 
èA imunização de adultos pode alavancar o sucesso social e econômico no século XXI. Os gestores de políticas públicas deveriam colocar a imunização ao longo do curso de vida no topo de suas agendas, com seis pontos-chave para políticas:
1. Aumentar a consciência sobre os benefícios da imunização ao longo do curso de vida entre os profissionais da Saúde, empresários, grupos de funcionários, sindicatos e o público em geral.
2. Estabelecer ou intensificar sistemas de vigilância para determinar ou monitorar a carga de doenças de adultos preveníveis por vacinas.
3. Conciliar calendários de vacinação de adultos.
4. Incluir imunização de adultos nos prontuários e criar cadastros de imunização de adultos.
5. Integrar vacinação de adultos nos programas públicos e privados.
6. Incluir a vacinação de adultos nos principais serviços preventivos para adultos.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aumento de prescrições de benzodiazepínico no Canadá revela medicalização do envelhecimento

A prescrição de ansiolíticos se tornou uma prática comum, em especial, no que se refere a pessoas idosas, para a redução imediata dos sintomas da ansiedade ou da insônia, sem resolver o problema original. E, diz a pesquisadora canadense, Dra. Guilhème Pérodeu, “ainda que os usuários e os profissionais de saúde considerem negativo o uso prolongado do benzodiazepínico (BZD), eles não lançam mão de alternativas”.
 
O seminário “Uma perspectiva sistemática sobre a medicalização do envelhecimento: o caso de benzodiazepínico (BZD)” trouxe ao Rio a alta expertise da pesquisadora canadense, Dra. Guilhème Pérodeu, no dia 16 de julho, terça-feira, de 09:30 às 12:00, em promoção conjunta do Centro Internacional de Longevidade (ILC-BR) e do Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE). Realizado no auditório do CEPE (Avenida Padre Leonel Franca, 248, Gávea, Rio de Janeiro), o seminário teve mediação do médico e gerontólogo, Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR, e debate com as  pesquisadoras Suely Rozenfeld (ENSP/Fiocruz) e Louise Plouffe (ILC-BR).
 
A Dra. Guilhème Pérodeau discutiu as implicações para políticas de saúde e para a prática clínica dos resultados de um estudo qualitativo sobre o uso de benzodiazepínico que contrastou as atitudes de 9 médicos prescritores, 11 farmacêuticos, 7 pessoas-chave e 23 usuários de longo prazo do medicamento, que tinham 50 anos e mais. O estudo foi realizado no Canadá, com o olhar nos fatores individuais, interpessoais e sociais, que contribuem para as questões sobre medicalização do envelhecimento.
 
Segundo Guilhème Pérodeau, o uso dessa droga psicotrópica para sintomas de ansiedade e insônia deve ser encarado como um fenômeno social, mais especificamente como um meio de “medicalizar” o envelhecimento normal. “Em outras palavras, o BZD é uma ‘prescrição rápida’ para o que é de fato uma questão de saúde complexa, inerente à experiência de vida e ao sentido atribuído ao fato de se ser idoso na sociedade atual. É a isso que chamamos de ‘medicalização do envelhecimento’”.
 
A brilhante apresentação da pesquisadora recomendou que a intervenção seja baseada nos seguintes pontos: (a) As atitudes individuais e a percepção dos sintomas de ansiedade e insônia devem considerar as representações do processo de envelhecimento em uma sociedade que valoriza a juventude e o imediatismo. (b) Mudanças na atitude pública em relação ao uso prolongado de psicotrópicos e questionamento de sua legitimidade, especialmente, na ausência de intervenção psicológica. (c) Transformação da visão social sobre o envelhecimento.
No debate, partir da esquerda: Alexandre Kalache, Guilhème Pérodeau, Louise Plouffe e Suely Rozenfeld.
 
Em suas considerações, a pesquisadora Suely Rozenfeld destacou a importância de que a solução para o excesso de prescrições leve em conta o contexto multicausal e indicou o site do Proqualis como fonte de informação sobre a abordagem multifatorial de eventos adversos com medicamentos.
 
Sobre contribuições na área de políticas públicas, Louise Plouffe analisou o problema como antigo - evidenciado na década de 1980 - e sugeriu quatro pontos de enfrentamento: elaboração de diretrizes clínicas orientadoras da prescrição de ansiolíticos; inclusão de agenda específica em programas para dependentes; inserção do tema no currículo de formação médica; desenvolvimento de iniciativas para mudar a prática.
A partir da esquerda: Alexandre Kalache, Guilhème Pérodeau, Louise Plouffe, Suely Rozenfeld e o Diretor do CEPE, Roberto Magalhães.
 
O seminário foi o sexto evento do ciclo “Inovações em Políticas Públicas sobre Envelhecimento”, que já apresentou a Proposta do Chile para uma Política Nacional para Alzheimer e outras demências (21 de fevereiro); Cidade de Nova Iorque Amiga do Idoso (26 de fevereiro); Estado de São Paulo Amigo do Idoso (26 de março); As políticas públicas do envelhecimento no Canadá (30 de abril) e Qual é o papel das evidências na formulação de políticas públicas do envelhecimento? (16 de maio).

Para solicitar a apresentação feita neste Seminário, assim como nos demais, enviar email para ilcbrazil2012@gmail.com.
 
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O Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brazil) é uma organização filiada à rede global de International Longevity Centers (ILCs), instituídos como “usinas de idéias” (think tanks) para políticas públicas intersetoriais voltadas ao envelhecimento populacional. Como espaço autônomo de ideias, se destina à produção do conhecimento, troca de informações, mobilização social e relações internacionais sobre os temas da longevidade e do envelhecimento. Atua em parceria com o Centro de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (CEPE), do Instituto Vital Brazil.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A moradia de pessoas idosas no mundo: quais são as práticas boas?

Os fatores relacionados ao lugar de moradia do idoso variam de acordo com o país pesquisado e com as condições culturais e socioeconômicas das pessoas idosas em cada país. A Aliança Global de Centros Internacionais de Longevidade (International Longevity Centers Global Alliance) publicou o documento resultante do texto de discussão (discussion paper) sobre a moradia dos idosos em 10 países, coordenado por Monica Ferreira, co-presidenta da Aliança Global. O relatório é baseado em análises de políticas públicas e boas práticas pesquisadas por dez International Longevity Centers (ILCs); todos acessíveis no site da Aliança Global.
 
A produção de discussion papers é uma iniciativa sistemática dos ILCs, constituídos como Think Tanks – “órgãos pensantes” que promovem o debate e propõem o tipo de política necessária para a área de envelhecimento. A difusão dos achados pela Aliança Global em seu site (e-dialogue) visa garantir o debate e agregar contribuições a serem incorporadas ao documento.
 
O texto sobre moradia foi gerado por pesquisa realizada em seis países mais desenvolvidos e quatro países menos desenvolvidos e abrangeu dois tipos de moradia: (1) moradia geral que abrange domicílios comuns, próprios e alugados por pessoas idosas e (2) moradia especial em asilos, casas de repouso e outros.
 
Em todos os países, mais de 80 por cento da população idosa moram em domicílios comuns. No Brasil, a maioria dos idosos mora em domicílios comuns com membros da família. Em comparação a outros países, há uma parte menor de pessoas morando sozinhas e a maioria vive em casas, seguida de 9,2 por cento em apartamentos. Menos de um por cento dos idosos brasileiros vivem em instituições. Isso é em parte influenciado pela preferência dos idosos a permanecer nas suas casas, mas também pelo baixo número de instituições.
 
Um mercado crescente na área de adaptação de casas é um dos resultados da tendência de permanecer na própria casa. Enquanto alguns países relataram tecnologias de informática que previnem a perda da autonomia, outros falaram sobre a acessibilidade física, por exemplo, em termos de portas mais largas. O relatório ressalta ainda o largo potencial para o crescimento nessa área.
 
Outro achado mostra que, em todos os países, faltam opções de moradias especiais para idosos de baixa renda. Em muitos países essas moradias são um luxo e assim inacessível para a maioria dos idosos. Vale mencionar, talvez como uma exceção, que o Estado de São Paulo se comprometeu a construir sete por cento das casas de acordo com as regras do desenho universal e tem o Programa Vila Dignidade, instituído pelo Decreto n.o 54.285, de abril de 2009, para oferecer atendimento aos idosos de baixa renda.
 
O relatório conclui que não há uma solução perfeita para a moradia de idosos. As soluções variam de acordo com as necessidades culturais e socioeconômicas de pessoas idosas em cada país. Para entender melhor quais são as possíveis soluções em contextos diferentes, a Aliança Global convida ao compartilhamento de bons exemplos e experiências no desenvolvimento de soluções que garantam uma moradia fisicamente e financialmente acessível: http://blog.ilcuk.org.uk/2013/05/22/housing-for-older-people-globally-what-are-the-best-practices-an-ilc-global-alliance-e-dialogue/

Elaboração de Ina Voelcker em colaboração com Louise Plouffe e Silvia Costa